Na Prática
Exemplos práticos de Educação Arcana.
artigo
Estou com as crianças, e agora?
Um guia prático da Nova Educação para mães, pais e educadores

Você está com uma criança. Pode ser seu filho, sua aluna, seu sobrinho. E você se pergunta: o que eu faço agora?
Este artigo é uma resposta prática para essa pergunta. Não é uma teoria — é uma estrutura que você pode aplicar hoje, no jantar, na sala de aula, no parque. Mas antes de chegar no “como”, precisamos falar sobre o “quem”.
Antes de tudo: a preparação do terreno
SER DIGNO DE IMITAÇÃO
Antes de trabalhar com as crianças precisamos trabalhar em nós mesmos. Ser um Ser Humano virtuoso, sábio, vivo, livre, amoroso, generoso, responsável, centrado — tudo isso é parte intrínseca de ser educador, pois toda nossa intervenção passará por quem somos, e carregará nosso DNA psíquico (ou Thoughtware) com ela. Então passo 1, ser digno de imitação.
CONSTRUIR O LAÇO
Construir o laço de conexão com a ou as crianças é o segundo passo. Educar sem essa ligação (emocional, psíquica) é um tipo de abuso. O processo de educação é muito mais leve e muito mais “parceria” quando esse laço/ligação é construído.
Como construir o laço? Escutando a criança, levando-a em consideração, tratando-a com dignidade, estando no time dela para as coisas que são muito importantes para ela, pondo limites quando existe risco à integridade dela, respeitando limites e espaço pessoal, cuidando das necessidades dela, apoiando nas dificuldades, conhecendo-a e deixando-a te conhecer, guardando os segredos inofensivos, negociando acordos e sendo um espaço seguro.
TORNE-SE UM HERÓI OU HEROÍNA
As crianças tendem a imitar aqueles que elas admiram. Se você já está indo bem com a primeira missão de ser digno/a de imitação, e está indo bem com a construção do laço de conexão entre você e a criança, o próximo passo é se tornar um(a) herói(na) para a criança.
Para parte das crianças, ser um símbolo de liberdade, aventura, superação, força, segurança e possibilidade é o que fará te verem como Herói(na); para outras, ser um símbolo de beleza, encantamento, generosidade, abundância, clareza e paz interior é o que te tornará seu/sua Herói(na). Você pode treinar para ser um símbolo de todas essas qualidades e atender em completude as diferentes necessidades das crianças, distinguindo quando é momento de uma postura e quando é momento de outra.
Outro fator que conta muito é quão bem a criança percebe que você sobrevive no mundo. Os outros adultos te respeitam? Você pertence? Você consegue cuidar de si? Essas observações dão a noção para ela se é seguro ou não te imitar.
E ao mesmo tempo que ela vê todas aquelas virtudes e essa “segurança” em você, ela também precisa ter a mínima impressão de que vocês são da mesma espécie, ver seu lado humano.
Ela só vai imitar alguém com quem se sinta parecida — seja agora, seja quando você conta histórias de quando você era criança. Isso dá a impressão de que, mesmo sendo diferentes, em potencial são iguais.
E isso é algo que você pode reforçar porque de fato são. Todos nos Seres Humanos temos o potencial de sermos como qualquer outro Ser Humano que admiramos.
A prática: do encontro ao fechamento
Com o terreno preparado, começa a prática.
1. CHECK-IN — DESCOBRINDO O X NO MAPA
Começando agora de fato com o cenário, e ultrapassando a preparação do terreno (que no fim está sempre acontecendo…): a criança chega para estar com você, ou acorda, ou volta da escola, ou chega na escola.
Nossa primeira recomendação é que vocês descubram o X no mapa um do outro. Você partilha como você chega, um pouco do universo dentro de você. A criança partilha um pouco do dela, e assim vocês sabem quem está chegando e desde onde, com que perguntas, que impulsos, que sentimentos e que emoções.
2. ESCUTAR, OBSERVAR, LER
Antes de começar a ação e intervenção, é essencial a observação, o escaneamento em 5 corpos da criança.
- Como ela chega? — incluindo e para além do que ela diz.
- Quais impulsos ela tem que talvez nem tenha palavras ou distinção para expressar?
- Quais as urges presentes?
Após essa escuta e observação — que não precisa ser muito longa, mas vale ter seu tempo de presença dedicada — você pode começar.
3. O INTERVIR
Na hora de intervir as possibilidades são infinitas e ilimitadas. Mesmo assim trago algumas dessas possibilidades aqui para me ajudar e ajudar o/a leitor(a) com a aplicabilidade da Nova Educação; Entretanto, relembro que ela não está limitada a essas intervenções.
3.a — Brincar das brincadeiras delas com o seu contexto
Crianças têm brincadeiras que já amam e as divertem muito, e essas mesmas brincadeiras entre aspas “comuns” podem proporcionar grande evolução e desenvolvimento se você trouxer o seu contexto (virtuoso, generoso, belo e de Responsabilidade Radical) para a brincadeira. Agir a partir desse contexto, tomar decisões a partir desse contexto, mediar os conflitos a partir desse contexto — tudo isso abre porta para descoberta e aprendizagem mesmo no meio de brincadeiras entre aspas “ordinárias”. Seja o Herói(na) brincando, seja Digno de Imitação.
3.b— Instigar curiosidade, e partir em quest-ions
Às vezes a alma da criança está pronta para uma quest (aventura/jornada), uma jornada de descoberta e curiosidade. Essa energia particular pode nascer “do nada” quando algo chama a atenção da criança. Pode acontecer quando você proporciona uma experiência distinta, ou uma pergunta muito boa que começa a ignição, ou quando uma aflição ou dificuldade convida a criança a crescer. Essas quests são quest-ions/perguntas — traduzido do inglês para “perguntas” quando junto, ou “íons de aventura” quando separado — que guiam a criança a uma descoberta.
Descobertas são a verdadeira forma do aprendizado.
Como Amparador de Espaço você pode treinar instigar quest-ions, o que é uma habilidade valiosíssima, ou cultivar e alimentar uma quest-ion sempre que ela surgir espontaneamente do espaço. Ou até revelar uma escondida por trás de um desafio. Seu trabalho é ajudar a criança a formular uma boa pergunta (quest-ion), e só. Deixar a criança autodirigir o resto, e apoiá-la no que pedir e precisar. Não mate perguntas com respostas.
O que seria uma “boa pergunta” (quest-ion)? É uma pergunta que cria possibilidades ao invés de uma que limita. Por exemplo:
Quest-ions ordinárias:
- Como me livrar da raiva?
- Como ganhar dinheiro?
- Como pertencer?
Quest-ions de Possibilidade:
- Como usar a minha raiva e por que ela existe?
- Como gerar valor e criar abundância?
- Como ser fonte do meu próprio pertencimento?
- O que é uma abelha?
- O que é o Tempo?
- Como aprender rápido qualquer coisa que eu quiser?
- Por que meu colega é tão malvado?
- Como dar um mortal?
- O que é preciso para ser um Pirata na vida real?
Ajude a criança a refinar a pergunta. A pergunta direciona completamente a jornada.
3.c— Desenhar brincadeiras e aventuras
Você não precisa e não deve só brincar das brincadeiras que as crianças já conhecem. Você pode inventar novas brincadeiras do nada para:
- se divertirem,
- praticarem uma habilidade,
- fazerem um experimento que cria aprendizado,
- desenvolverem o corpo,
- aprimorarem as habilidades socioemocionais,
- trabalharem no trabalho em equipe,
- alimentar uma parte do cérebro, do pensamento ou da percepção,
- ajudarem a algo ou alguém.
Feitas sob demanda e sob desenho, adaptadas para as crianças na sua frente. E se você criar uma muito interessante e divertida, pode compartilhá-la com seus amigos(as) educadores(as) — e as crianças provavelmente vão passá-la adiante com outras crianças.
3.d — Sustentar práticas e treino
Às vezes você se depara com a mágica situação onde a criança quer muito aprender algo. Ela já está no meio da quest-ion dela e quer aprimorar suas habilidades para conseguir atingir seu objetivo. Nesse caso você pode ser um(a) treinador(a) e apoiar a criança na prática e treinamento dela. Se é o que a criança quer, capriche: dê feedbacks, corrija, oriente, tentem de novo e de novo — repetidamente, diversificadamente e divertidamente — até que essa nova habilidade se fortaleça e vire natural. Treinar e praticar para aprender aquilo que você quer é algo verdadeiramente divertido e entusiasmante. Ajude a criança a manter sua conexão com a origem e o porquê — com o íon da quest — na hora de atravessar os limites mais desafiadores.
3. e— Usar brincadeiras arcanas
Nós do time de pesquisa da Nova Educação, também temos uma lista de brincadeiras que destilamos e coletamos, você pode experimentá-las! São brincadeiras que criam oportunidade para reflexão, diversão, aprendizado, descoberta e possibilidades.
Mas não compartilhamos essa lista para que você não crie e descubra as suas próprias brincadeiras e apenas use as nossas — eu não seria capaz de cometer esse crime contra a Humanidade. Continue criando e inventando a sua própria lista! E compartilhe ela conosco e com o mundo. Você também é um pesquisador(a) da Nova Educação!
Acesse a lista em archaneeducation.com/curadoria.
3.f— Usar histórias
Histórias têm um poder fascinante sobre as crianças — quando bem contadas, quando interessantes, podem abrir grandes portas de aprendizagem e descoberta, crescimento e evolução. Use histórias, crie histórias, e especialmente dialogue com as crianças sobre as histórias; isso ajuda a digerir e extrair todos os tesouros delas.
Com essa digestão através do diálogo, certos filmes podem virar material pedagógico de alta qualidade, histórias de figuras do passado viram um espelho da psique humana, e a criança atravessa quest-ions inteiras através da imaginação e da conexão emocional e intelectual com cada pedacinho da história.
Não é à toa que grandes professores da humanidade como Jesus, Siddarta, Platão e muitos mais, sempre usaram histórias, parábolas, mitos e anedotas para compartilhar seus conhecimentos.
4. CHECK-OUT — FECHANDO O ESPAÇO
Para fechar a experiência, o dia, ou o momento, o check-out é uma boa forma de extrair, relembrar, digerir e absorver as descobertas feitas.
Perguntas como:
o que você descobriu?
com que perguntas está saindo?
o que não quer esquecer?
no que quer melhorar?
o que você agradece sobre hoje?
São perguntas que mantêm a aprendizagem e descoberta acontecendo mesmo com o término do espaço.
Uma última coisa importante
Vale apontar que essa é uma estrutura prática condensada e focada nas ações. Para que essas ações sejam realmente efetivas, uma quantidade significativa de evoluções, crescimento e conhecimento precisa acontecer do nosso lado como educadores.
É aí onde entra toda a parte “teórica” — mas deveras importante — da Nova Educação. Pois é nessa teoria que refinamos nossas premissas de mundo (Thoughtware) e os conhecimentos ao nosso dispor para sermos mais eficientes em nossas ações.
Só seguir a fórmula desse artigo sem se alimentar da visão pedagógica da Nova Educação é como em uma cirurgia médica usar um bisturi em um corpo vivo, cujo local de corte está desenhado, mas sem o conhecimento técnico da ferramenta, da execução, de quão fundo pode ir, de quão estável a mão precisa ficar e afins… Seguir um tracejado com um bisturi sem ser um médico experiente traz altos riscos á cirurgia. Não porque o tracejado estava errado, nem porque o bisturi tinha problema, mas porque faltava matriz de experiência e conhecimento na pessoa operando.
Por isso recomendamos fortemente a leitura da seção: [ archaneeducation.com/como ] onde você pode conhecer e se aprofundar mais na visão pedagógica e filosófica da Nova Educação. Os conhecimentos lá são portas para uma jornada de transformação pessoal e evolução para que você se torne um Educador Sábio, Virtuoso e Habilidoso.
Com amor, Israel M. Kairós.





