Filosofia Avançada

Aqui é onde o diálogo entre educação, cultura, formação do indivíduo e potencial ficam mais ousados e mais profundos.

Um outro nome para a "Nova Educação".

Adentrando na filosofia avançada, entramos talvez no território mais rico da nova educação — o território onde educação não é algo separado que fazemos com as crianças, mas sim algo entrelaçado com nossa cultura, nossa forma de enxergar o mundo e de viver.

As premissas que usamos para navegar a vida vêm de uma cultura chamada “Arquiarcado”. É uma cultura emergente cujo um dos principais sustentadores atuais é o Possibility Management. 

O Arquiarcado é uma inteiramente nova forma de ver a vida, se relacionar com a vida e valorizar a vida.

Tem um sistema de valores distinto, prioridades distintas, até vocabulário distinto e, com tanta distinção, tem também resultados distintos.

Resultados dos quais particularmente gostamos muito, para nossa vida e para a relação com as crianças. Damos então, de forma carinhosa e homenageosa, o nome de Educação Arcana para toda essa proposta pedagógica da Nova Educação.

artigo
A Relação entre Cultura e Educação

Para entender de onde vem essa nova cultura e por que ela muda a educação, precisamos fazer um pequeno desvio pela história.

Da boca para fora, educação pode ser muitas coisas, mas, na prática, uma das coisas que de fato ela tem sido é a passagem de cultura dos adultos para as crianças. Por isso abriremos um parêntese de alguns parágrafos para falarmos sobre cultura, e quando eu terminar intenciono que tenha ficado claro por que consideramos essa conversa uma conversa tão importante quando o assunto é educação.

Por muitos milênios, a cultura vigente, apesar de mudar de formas, leis e roupagens, segue as mesmas premissas: centrada na sobrevivência, guiada por um nível de responsabilidade baixo, busca constante por segurança e pertencimento, e enfoque na criação de hierarquias, estruturas de poder, lei do mais forte/mais esperto  e controle da massa por crenças coletivas. Se você olhar com cuidado para os medos, desejos e relação para com responsabilidade por trás de todas as grandes estruturas sociais vividas nos últimos milênios você verá as mesmas premissas permeando “formas externas” aparentemente distintas como: o Imperialismo, o Colonialismo, o Capitalismo, o Socialismo e as até então tentativas factuais de Comunismo. A esse padrão psíquico-cultural, com sua principal característica sendo o Nível Adolescente de Responsabilidade, damos o nome de “Patriarcado”. Vale ressaltar que esse padrão cultural não molda apenas governos e economias — mas molda também a forma como educamos as crianças durante todos esses séculos.

Uma outra descrição para o “Patriarcado” seria o “Estado de Evolução Adolescente do Ser Humano”, onde o “Matriarcado” seria o momento da história humana em que éramos caçadores-coletores, “Estado de Evolução Criança”, cuidados pela Grande Mãe Terra. Agradecendo a ela, pedindo a ela e sendo servido por ela. Nessa época cultural não destruíamos o planeta (em grande escala) e éramos detentores de um certa inocência provavelmente provida de ignorância e limitação intelectual na quantidade de estrago que éramos capazes de causar. Com a possível chegada de mais inteligência (o que não necessariamente veio provida de sabedoria), o ser humano começou a explorar e descobrir a vida, causando muita bagunça e limpando muito pouco dela (nível de responsabilidade adolescente) dando início ao Padrão Cultural Patriarcal.

Agora chegou um momento na Evolução Humana em que podemos refletir com mais consciência sobre nossas ações e suas consequências. Existe, então, a porta para mais sabedoria em um nível de cultura global. Essa oportunidade, junto ao fato de que, se seguirmos na mesma direção que viemos, destruiremos o planeta e deixaremos de existir em breve, abre uma oportunidade fascinante: a oportunidade de que, depois de 10 mil anos, façamos uma transformação completa de cultura, deixando de ser adolescentes e começando a ser Humanos em “Estado de Evolução Adulto”. Seres humanos que, como um todo, vivem a partir de um nível de responsabilidade Alta/Radical. 

Essa proposta de uma Nova Cultura é a proposta que o Possibility Management faz com o Arquiarcado: a cultura que vem depois do Matriarcado e do Patriarcado, a cultura onde Mulheres e Homens Adultos, radicalmente responsáveis, colaboram para criar.

Uma cultura que muda completamente seu ponto de origem de: sobrevivência e segurança para colaboração criativa /  de responsabilidade infantil para responsabilidade radical, e acaba  como consequência por mudar completamente a forma como enxergamos quase tudo na vida. Sentimentos que antes eram incômodos emocionais  causados por algo externo, viram então fonte de clareza sobre o que é importante para mim e energia para criar a vida que quero. Minha personalidade que antes era consequência do destino, agora vira massa de modelar nas minha mãos, livres para eu fazer dela o que eu quiser, e minhas sombras e estratégias de sobrevivência que eram culpa da minha infância e do meu passado viram material de trabalho para eu curar e transformar. Isso são só 3 mudanças de paradigma de milhões que existem dentro do Arquiarcado, pois a forma como você se relaciona com tudo muda, quando você muda o nível de responsabilidade que você assume.

Agora, voltando ao início, quando falei que Educação e Cultura estão ligados, pois educação é essa passagem de cultura dos adultos para as crianças. Pois bem a Pesquisa da Nova Educação assim como Arquiarcado é centrada no contexto de Responsabilidade Radical e Criação Colaborativa, o que faz dela uma educação pertencente a uma Nova Cultura, uma cultura que se não me falha a intuição é bem mais alinhada com os valores do seu Ser. 

Muitas das descobertas sobre educação mais autorais & valiosas que temos a oferecer só existem por que centenas de Possibilitadores estão botando a mão na massa e pesquisando sobre a natureza humana, o que é possível para nós e como criar em alta responsabilidade com todo nosso potencial. Então antes de compartilhar nossa pesquisa queria agradecê-los profundamente. Assim como a todos os pesquisadores de educação que vieram antes e trouxeram grandes tesouros ao mundo, que sabendo eles ou não, já pertenciam a uma nova cultura.

Então te convidamos a uma jornada de mente aberta para descobrir uma nova cultura e uma nova educação. Essa viagem não é perigosa e você pode ejetar dela a hora que quiser, então não se preocupe. Aproveite o passeio e não se pressione.

Nosso resultado é diferente
porque nosso objetivo é diferente.

Educar visando resultado específico vs educar visando potencial

A vida vem sendo a vida por bilhões de anos, criando vida e potencial de forma não-linear, criativa e genial. Das montanhas flutuantes da China aos vulcões e glaciais, dos povos que plantaram a Amazônia e construíram as pirâmides, aos inventores da IA e da internet, dos escritos de mais de 4.000 anos que descrevem coisas que a ciência está descobrindo agora, às implementações em massa de tecnologia e infraestrutura arquitetônica. E você, eu, nós. Bichinhos com dezenas de anos, pequenos e limitados. Viciados em água e comida, dependentes do ambiente.

Você acha que nós sabemos mais o que é melhor para uma criança do que a própria vida?

Ao educar, podemos fazê-lo de três formas. A primeira sem visar coisa alguma — de forma não intencional — o que leva muitas vezes a não criar nada de extraordinário de fato. A segunda visando um resultado específico: você quer que a criança consiga fazer X, aprenda Y, passe em tal exame, consiga W resultado. Essa forma de educar, controlando a situação para alcançar um resultado específico, é limitada pela nossa perspectiva do que é melhor, do que é certo, do que deveria ser.

A terceira forma de educar é visando um potencial. Educar para trazer à tona o potencial da criança — potencial esse que nem mesmo eu sei qual é, mas que observo atentamente, escuto e nutro, tendo a aventura de descobri-lo. Deixando-o desabrochar.

É como cultivar uma planta sem a arrogância de achar que já a conhece só porque conhece um nome adjetivado a ela como “macieira” — uma macieira é muito mais que a palavra macieira. O que aconteceria se você se permitisse maravilhar e descobrir o que de fato é uma macieira? Como ela interage com o ambiente, as formas como nutre os animais com seu fruto, nutre o solo com suas mortes outonais, é moradia para bichos, sombra para plantas, descanso para aves, comida para insetos, oxigênio para o ar e assim por diante. Toda interação é um potencial — potencial para coisas que desconhecemos. E se abandonamos a arrogância de nos apegar a um resultado específico, podemos descobrir, nutrir e nos aventurar em uma educação que visa potencial.

Onde o educador não é um guia turístico que mostra uma limitada região de uma praia para um bando de turistas — mas um capitão pirata que se aventura em mar aberto para descobrir coisas que ele nem mesmo sabia existirem, com sua grande tripulação de pequenos filhotes humanos.

Mas como isso parece na prática?

A próxima vez que for amparar um espaço para crianças, ao desenhar a aula, a jornada de aprendizagem, as brincadeiras ou as dinâmicas — não desenhe tentando fazer algo específico acontecer. Desenhe abrindo espaço para o potencial.

Em vez de fazer uma aula de história para que no final as crianças saibam os fatos históricos organizados na ordem de uma apostila sobre o descobrimento do Brasil, comece dizendo: “Tinha esse país chamado Brasil, e ele era assim… assim e assim…” — descreva com a magia que merece. “E então… chegaram pessoas de fora, muitooo diferentes, que nem falavam a mesma língua, vestiam roupas pomposas, usavam armas, navegavam em grandes barcos e valorizavam coisas bem diferentes das dos nativos… O que vocês querem saber sobre esse encontro?” E deixe a magia desabrochar conforme as perguntas e curiosidades da criança. Você não repete uma história pré-montada. Você descobre uma nova história conforme as perguntas a desabrocham.

Ao preparar uma aula de português onde as crianças vão aprender a diferença entre sujeito e objeto, não se prenda à descrição repetida e a exemplos distantes da realidade da criança. Faça uma roda de conversa onde cada uma compartilha coisas importantes que aprendeu com sujeitos — e coisas que aprendeu com objetos. As histórias criam potencial, e a prática de distinguir incorpora a distinção.

Ao estudar geografia, não chegue com um fato aleatório do qual a criança nem se interessa, para fazê-la memorizar porque um papel te obriga a passar isso. Deixe as crianças escolherem um lugar do mundo que as intriga — para então explorarem juntos as curiosidades geográficas daquela região.

Percebe? É desenhar experiências e conduzir a aula deixando espaço para o desconhecido e o imprevisível, ao invés de fugir e evitá-lo. Muita aprendizagem acontece no imprevisível — e o mais divertido é que essa aprendizagem não acontece só para as crianças. Acontece também para a gente.

Faça perguntas cuja resposta você desconhece. Tente coisas que nunca tentou junto das crianças. Aprenda coisas novas. Experimente formas diferentes de educar. Deixe as crianças experimentarem o não-linear. Descubra o que é melhor para cada criança junto com elas. Seja curioso, interessado, divertido e ousado.

Jogue o jogo do potencial.

Coletânea de Conhecimentos da
Nova Educação - Avançado

Aqui seguimos a lista com a mesma organização de 4 tópicos (a Criança, o Desenvolvimento, o Adulto e a Aprendizagem) da coletânea de conhecimentos base. Assim como na lista base, cada um desses temas merecem no mínimo um livro inteiro, mas fazemos nosso melhor para resumi-los de forma prática e enxuta. É altamente recomendado que você estude mais sobre todos os temas que te chamarem atenção ou que você não entender completamente. Raramente um desses conhecimentos é a solução completa para um desafio educacional. Muitos desses conhecimentos se interligam e você vai se ver frequentemente usando vários simultaneamente para navegar um desafio novo que se apresenta. Os temas aqui selecionados se encontram nessa lista ou por maior necessidade de abertura, ou por maior necessidade de pensamento complexo. Aproveite a leitura.

A Criança

Pesquisando a natureza das crianças  AVANÇADO

ESPÍRITO

Antes de criança, Espírito.

Nossa jornada começa muito antes e termina muito depois dessa vida. Antigas tradições de milênios apontavam para isso — e no último século, evidências crescentes confirmadas por céticos e cientistas tornaram essa conversa difícil de ignorar. Espiritismo, reencarnação, memórias de vidas passadas, mensagens vindas do além: não é mais território exclusivo da fé. É também território da pesquisa.

Cético não quer dizer fechado para o improvável. Isso seria cego, não cético. Cético quer dizer apenas pé no chão — e esse é um assunto que não tem problema algum em pesquisar de mansinho e com pé no chão. E o que essa pesquisa revela tem implicações diretas para quem educa.

Um olhar espírita para a educação ajuda a compreender mistérios da personalidade da criança, encarar desafios com bom humor e construir uma relação de muita colaboração e parceria com o espírito ali se acoplando.

A educação é talvez a coisa mais importante que esse espírito veio receber nessa vida — a verdadeira oportunidade de bom exemplo, acolhimento, orientação e evolução da qual estava precisando. O que dá ainda mais responsabilidade à nossa sagrada missão.

Ao pesquisar a dimensão espiritual da educação, descobrimos por exemplo que é possível conversar com o espírito da criança e seus mentores, com o propósito de melhor entender e apoiar a jornada específica de aprendizado designada a essa pequena alma. Descobrimos também que certas dores e traumas podem vir carregados de experiências passadas — e com acolhimento e conhecimento de ferramentas como os Processos de Cura Emocional, podemos ajudar esse espírito na cura dessas dores.

 

Não é uma tela em branco que recebemos. É um espírito de muitas experiências — mas também aberto e receptivo para uma experiência completamente nova da vida.

INFLUÊNCIA

Existem mais variáveis em jogo para se considerar.

Como bichos humanos que somos, é inegável nossa influência por muito do que está ao nosso redor. Sem comida e sem água, nosso corpo responde diferente. Com baixo oxigênio em alta altitude, nosso cérebro responde diferente.

Assim como nosso corpo físico e intelectual pode ser influenciado por muitas coisas, nossos corpos emocional e energético também podem. Assim como os mares são radicalmente influenciados pelos astros, os impulsos e tendências da nossa personalidade também o são.

Claro que influência não é determinismo. Não é porque você está sem dormir e com fome que você definitivamente estará de mau humor — mas existe uma tendência para isso, e vai te exigir uma maior quantidade de comprometimento se você quiser remar contra a maré.

Dito isso, quero ressaltar que como educador, estudar e entender esses fatores de influência pode ser muito útil para saber como trabalhar em cooperação com eles. Dos vários estudos valiosos a respeito, o que com mais assertividade me deu ferramentas práticas para ajudar crianças e adultos em suas tomadas de decisão e em lidarem com desafios cotidianos foi o do Desenho Humano — um sistema que integra múltiplas tradições de leitura do ser humano — da astrologia védica ao I-Ching — para mapear como cada pessoa foi desenhada para funcionar.

Como cada um foi desenhado para saber que está no seu caminho? Para tomar decisões assertivas? Qual o papel que veio cumprir na vida? São perguntas que me ajudam a não tratar todas as crianças como se fossem iguais, ou como se a vida funcionasse da mesma forma para todas.

Assim como as plantas — a mesma quantidade de água nutre uma e afoga a outra — vale estudar a natureza de cada criança e, com esse conhecimento, ser mais eficiente no cuidado do solo seguro e fértil para cada uma. 

ESPAÇOS ENERGÉTICOS

Crianças respondem rápido a espaços energéticos.

Foi de grande surpresa quando descobri que crianças respondem rapidamente a espaços energéticos. Não me entendam mal — sempre fui mais cético do que crente em tudo que dizem por aí. Mas evidências repetidas se tornam inegáveis, por mais improváveis que pareçam ser.

Espaços energéticos existem em todo lugar. Eles carregam sujeira energética, intenções ocultas, formas-pensamento — mas também princípios brilhantes, propósitos conscientes e energias arquetípicas. Eles interagem constantemente com nosso corpo energético, sendo também um ponto de influência em como nos sentimos, no tipo de impulsos que temos, no propósito que é convocado e na qualidade de relação que é convidada.

Uma forma bem prática de experimentar os espaços energéticos é na hora de colocar a criança para dormir. Declare um cubo dourado no espaço — ele é um espaço energético conscientemente invocado. Declare uma corda de aterramento da base do cubo até o centro da terra para mantê-lo aterrado. A declaração energética funciona melhor quando você usa elementos físicos para ancorá-la, como um estalar de dedos ou uma palma. Dentro desse espaço energético, cobrindo todo o quarto e as pessoas nele, você invoca a energia arquetípica do sono e do dormir. Chama o princípio brilhante do Descanso e do Repouso. E rapidamente a energia do espaço muda — e as crianças respondem a isso de forma nítida.

Esses espaços energéticos também servem para contextos de brincadeira, refeição, limpeza, silêncio, aventura, aprendizagem e muito mais.

Ao brincar com os espaços energéticos, outra ferramenta que pode te ajudar muito são os Buracos Negros, para limpar espaços e renovar a energia sem precisar gastar com incenso e afins.

Desenvolvimento

Como a criança cresce e o que cada fase pede AVANÇADO

CONSTRUINDO MATRIZ

Conhecimento é Intelectual, Matriz é 5 Corpos.

Cada ser humano — e criança — tem uma matriz de consciência, essa matriz é constituída por distinções. Pense numa rede de pesca: a rede é a matriz, cada fio é uma distinção. Quanto mais distinções, maior a rede — e mais “peixes”, ou mais da realidade e possibilidades você consegue captar, mais você é capaz de ver e criar.

Dois seres humanos iguais, jogados em uma floresta igual — um tem distinções e matriz sobre quais plantas são comestíveis, e o outro não. Um morre e o outro vive, encarando o mesmo cenário, simplesmente porque um tinha matriz para aquele cenário e o outro não.

Distinções são conhecimentos práticos e experienciais. Cada conhecimento desse site é uma distinção — e quando você o absorve não só na cabeça, mas na experiência, sua matriz cresce e mais você é capaz de enxergar mais e criar mais ao cuidar de uma criança. É por causa da matriz que algumas pessoas encontram soluções onde outras só veem o problema.

Construir matriz em uma criança é parte da missão de um educador. Isso não se faz apenas com informação intelectual — é preciso oferecer a distinção no nível da experiência para a matriz ser construída. Isso pode ser feito com brincadeiras, experimentos e práticas que permitem à criança descobrir as distinções na própria pele. Lembre: Descoberta — essa é a palavra-chave. Quando a criança descobre, ela cresce. Ela aprende de verdade. Ela guarda. Vira Matriz.

Quando a matriz de um ser humano cresce → sua consciência cresce → por consequência sua responsabilidade e maturidade crescem → porque maturidade e responsabilidade no final, são apenas consciência em ação.

THOUGHTWARE

Programação de Mente Humana

Durante a vida de um Ser Humano comum no século 21, ele tem bastante liberdade sobre o que pensar. Ele estuda, ele descobre coisas novas, mas muito pouco frequentemente ele sabe que tem liberdade sobre COM O QUE pensar.

Imagina que nosso cérebro funciona como um celular: instalamos e desinstalamos diferentes APPs (pacotes de ideias) durante toda a nossa vida. Parece muita liberdade, certo? Mas todos esses APPs são completamente limitados pelo software que usamos, o sistema operacional por trás de tudo. Para os adeptos ao iPhone, o iOS, e para muitos outros, o Android.

Quanta mais liberdade você acha que teria se você escolhesse e desenhasse de forma mais ativa o software que você usa no seu dispositivo? E quantas possibilidades você acha que teria se você desenhasse o sistema operacional de COMO você pensa?

As pessoas que desenharam o iOS ou o Android não desenham tudo só com o objetivo de servir você ao máximo; elas têm próprios interesses ocultos que influenciam a forma como desenharam esses modelos de software. Assim também, as pessoas que desenharam o Thoughtware que você usa têm seus próprios interesses ocultos por trás da forma como o desenharam.

O Thoughtware de Inteligência Humana Padrão na Cultura Moderna é o mesmo Thoughtware que vem alimentando a destruição do planeta na velocidade mais rápida possível. É o mesmo Thoughtware que sustenta a existência do modelo econômico, do dinheiro (algo não comestível, nem essencial) como algo tão central na vida humana, e essa representação fictícia, aparentemente tão importante (porque o Thoughtware atual assim dita) para a sobrevivência humana, estar concentrada na mão de 1% da população que tem mais que os 99% restantes somados.

A pergunta fica: você realmente acha que seu Thoughtware não tem viés?

Como Pai, Mãe ou Educador da Nova Educação, você tem a possibilidade de assumir responsabilidade pelo seu Thoughtware e pelo da criança sob seus cuidados, ensinando a ela como cuidar do seu próprio Thoughtware e se tornando um designer de Thoughtware.

Toda vez que a criança tiver uma ação destrutiva por consequência do Thoughtware que ela tem (visão de mundo dela), você, ao invés de corrigir comportamento (que é só a superfície), pode ir na raiz e desenhar alguma experiência para ela que a leve a uma expansão de Thoughtware.

Como, por exemplo, ver filmes e histórias de crianças que sofreram Bullying quando elas estão fazendo Bullying. Levar ela para brincar com crianças que dividem e que não dividem, para ela descobrir qual tipo de amizade ela gosta mais, e afins.

Kings/Queens-Making

Trazendo Reis e Rainhas ao mundo.

Todo menino carrega o potencial de se tornar um Rei, e toda menina uma Rainha.

Rei e Rainha no sentido mais arquetípico e bonito da palavra — como símbolos da expressão madura, sábia e elegante de um Homem ou uma Mulher.

Um Rei e uma Rainha não nascem prontos. Eles precisam ser cultivados, criados e empoderados.

A pergunta fica então: como fazer um Rei/Rainha? Como criar uma criança que trata com respeito, dignidade e sabedoria o seu próprio sexo e o sexo oposto? Como criar, desde pequenos, Homens e Mulheres não patriarcais? Homens e Mulheres arquetípicos?

Três caminhos se revelam:

1° Transmita a cultura dessa Realeza.
Seja primeiro você um Rei/Rainha. E use os princípios de Herói/Heroína, Laço, Imitação e Histórias — da curadoria de conhecimentos base — para passar à criança os princípios de viver a vida como um Rei ou uma Rainha.

2° Invoque a Realeza neles.
Existem várias lentes a partir das quais poderíamos ver as crianças — e milhares de lados diferentes que elas revelam em um único dia. A criança pode ser mal-educada numa hora e, na hora seguinte, dar passagem para outra pessoa passar na porta primeiro, recolher um brinquedo do chão, fazer uma pergunta autêntica, ser generosa com um amigo.

Aquilo com que adjetivamos as crianças — a pequena parcela de atitudes que escolhemos reforçar como “quem elas são” — lembrando aqui do princípio da Identidade — acaba sendo a parte delas com a qual nos relacionamos.

O que você acha que aconteceria se você tratasse a criança como o Rei ou a Rainha que ela tem o potencial de ser? Se se referisse a ela enxergando esse potencial e notando todas as pequenas formas como ele já se mostra? Escolher a lente de: “você nasceu para ser um Rei / uma Rainha — eu sei. E um Rei e uma Rainha se comportam assim: x”

O propósito aqui não é manipular comportamento, mas invocar o potencial que de fato existe nessa criança de realizar a beleza e elegância do Masculino e do Feminino Arquetípico. Nesse processo, vale também estudar e pesquisar o Masculino arquetípico e o Feminino arquetípico para não falar besteira nem convidar a criança a se comportar irresponsavelmente.

3° Relacione-se apenas com a Realeza (aplica-se principalmente a adolescentes)
Essa terceira etapa se aplica a adolescentes que conseguem sustentar níveis um pouco mais altos de responsabilidade. Relacionar-se apenas com a Realeza significa: quando o adolescente tiver uma atitude contrária à postura de Rei ou Rainha, dizer — “isso não é o Rei/Rainha em você, e nesse momento eu só vou me relacionar com essa parte. Tente novamente.”

Importante: se o adolescente mudar a atitude apenas para te agradar ou porque você disse que é o certo, a etapa 3 não foi implementada com sucesso. Não se trata de controlar comportamento nem de forçá-lo a agir de um jeito que não quer.

Para chegar ao ponto de usar a etapa 3, as duas etapas anteriores já deveriam estar bem consolidadas — ao ponto de o adolescente ter descoberto por conta própria a alegria que existe em ser um Rei ou uma Rainha. Essa frase seria então um lembrete bem recebido, não um “pai/mãe chato tentando me controlar.”

O mundo ainda está para descobrir o potencial belo e elegante do Masculino e do Feminino Arquetípico. E você pode fazer parte disso, amparando espaço para o desabrochar de um Rei e de uma Rainha.

Talvez te incomode que esse texto tenha apenas se referido ao Masculino e o Feminino. Se esse for o caso, vale ressaltar que um Rei e uma Rainha podem, quando com idade apropriada e sem influência dos pais, se apaixonar por pessoas do mesmo sexo biológico — e isso não muda absolutamente nada da beleza e elegância deles como Reis e Rainhas.

Dito isso, existe uma distinção importante que vale fazer: gostar de alguém do mesmo sexo ou não querer se encaixar nos padrões que a sociedade coloca é uma coisa. Ter asco de si mesmo, odiar o próprio sexo, desprezar o sexo oposto ou não se sentir pertencente ao próprio corpo é outra coisa completamente diferente — e essas duas coisas não pertencem à mesma caixa.

A segunda categoria, quando presente, merece atenção e investigação cuidadosa. Em muitos casos ela está enraizada em traumas, abusos ou relações profundamente danificadas com figuras parentais — e tratar como identidade o que pode ser ferida não ajuda a criança ou o adolescente. Ajuda reconhecer, acolher e buscar apoio para curar o que precisa emocionalmente ser curado.

O Adulto

Por quem a educação passa antes de educar aVANÇADO

RESPONSABILIDADE

Tornando-se imparável.

Responsabilidade na cultura moderna é vista como um peso ou um fardo. Algo a se evitar quando possível, ou pelo qual você deve ser bem remunerado.

Ao fugir da responsabilidade, você sem perceber foge também de todas as possibilidades de criar o tipo de vida que o seu coração quer. Só cria uma vida extraordinária quem tem culhões de tomar responsabilidade por criar essa vida — independente das circunstâncias, independente de quem está fazendo seu trabalho ou não.

Responsabilidade = poder de criação.

Quando eu assumo responsabilidade radical por tudo na minha vida, não há nada que me impeça de criar o que quero — porque a responsabilidade de até agora não ter a vida que quero é toda minha. Se a responsabilidade é de outra pessoa, preciso que essa outra pessoa mude para eu ter a vida que quero.

Você já tentou mudar outra pessoa para ter o que quer? Funcionou?

Como educador, quando você assume responsabilidade radical por criar um espaço seguro e fértil para a criança florescer, não há nada nesse mundo que te impeça de criar isso — onde for, nas circunstâncias que for.

DES-TRIÂNGULAÇÃO

Crianças emocionalmente sabidas.

O psicólogo pesquisador Stephen Karpman apresentou ao mundo em 1968 o Triângulo Dramático — uma leitura das relações humanas que revelava como a maior parte das interações em uma cultura patriarcal, capitalista e centrada em irresponsabilidade acontece dentro de um triângulo de personagens: algo ou alguém sendo apontado como Perseguidor, alguém se declarando ou sendo declarado Vítima, e um Salvador tentando proteger a vítima.

Esse conhecimento foi e é muito usado para experimentar outras formas de interação — já que, assim que você começa a ter consciência desse padrão, torna-se dolorosamente evidente que seguindo a triangulação nada de fato muda, com exceção do índice global de reclamação e apontar de dedos, que cresce significativamente.

Ao continuar pesquisando com o Triângulo Dramático, o Possibility Management fez algumas descobertas relevantes de alto valor para nossa pesquisa pedagógica.

O triângulo dramático — re-nomeado de Triângulo do Baixo Drama pelo Possibility Management — é na verdade uma expressão irresponsável dos 4 sentimentos:

  • Raiva irresponsável → Perseguidor
  • Tristeza irresponsável → Vítima
  • Medo irresponsável → Salvador
  • Alegria irresponsável → Gremlin (a parte de nós que quer ver o circo pegar fogo e que, na verdade, se diverte com o Drama Baixo)

Somando essa descoberta com a de que sentimentos são valiosas fontes de informação e energia — e podem ser usados de forma responsável para criar o que você quer — o Triângulo do Alto Drama foi criado. Onde a mesma raiva, tristeza, medo e alegria, antes usados para fazer Baixo Drama de forma irresponsável, podem ser usados de forma responsável para criar. E com criar quero dizer: fazer acordos, negociar, tomar decisões, escolher, colocar limites, comunicar e afins.

  • Raiva responsável → O Guardião
  • Tristeza responsável → O Comunicador
  • Medo responsável → O Designer / Mago
  • Alegria responsável → O Amparador de Espaço

O convite fica então para ser um alquimista de sentimentos sempre que as crianças estiverem fazendo Baixo Drama. Você pega cada uma delas, as escuta, e as ajuda a navegar seus sentimentos de irresponsável para responsável identificando a informação por trás do sentimento, e o convite que a energia borbulhando faz — não os reprimindo, mas escutando de fato o que está por trás deles — e assim criarem em colaboração.

Faça isso algumas vezes e vai se surpreender com quão rapidamente crianças amadurecem emocionalmente.

GAMEWORLDS

Crescendo fora das prisões de pensamento.

Você passou a vida inteira nadando em gameworlds e nunca percebeu a água.

Um gameworld — mundo de jogo — é um campo de comprometimento com um propósito, contexto, codex e regras de engajamento acordados.

Toda interação humana que você já teve aconteceu dentro de um gameworld. Todas, sem exceção.

Você acorda de manhã. Faz café. Senta numa reunião. Discute com alguém que ama. Paga o almoço. Vai dormir. Cada uma dessas é um gameworld, ou múltiplos gameworlds aninhados uns dentro dos outros.

Pense por exemplo nos Correios. Para jogar no gameworld dos Correios, você leva seu pacote ao prédio dos Correios durante o horário de funcionamento. Você fica em silêncio numa fila única. Mínimo vinte minutos. Quando chega na frente, um funcionário público pode ou não decidir te ajudar. Você preenche um formulário à caneta. Paga o que pedem. E “nem neve, nem chuva, nem sol, nem a escuridão da noite” impede os entregadores de entregar sua correspondência.

O propósito do gameworld dos Correios é gerar lucro. Como você sabe? Porque se os Correios entregam sua correspondência no prazo mas não geram lucro, o governo os fecha ou os privatiza.

Perceba: você entrou, e em segundos começou a se comportar como se as regras dos Correios fossem leis naturais. Como se não houvesse outra forma possível de enviar um pacote. Como se a fila, o formulário, a caneta, o balcão — como se tudo isso sempre tivesse existido, da mesma forma que a gravidade sempre existiu.

Mas alguém inventou. Alguém — um dia, num momento da história — criou as regras dos Correios. As escreveu. As fez cumprir. E agora você fica vinte minutos na fila sem questionar.

Seres humanos criam um gameworld, entram em suas regras de engajamento, e em segundos começam a se comportar como se essas regras fossem verdade. Mesmo que um momento antes as regras tenham sido criadas do nada.

Se você não sabe que um gameworld é um gameworld, você acha que ele é a realidade. (Não é.)

Se você acha que um gameworld é real, você se comporta como se estivesse aprisionado nos gameworlds da sua vida. (Você não está.)

O Dinheiro é um gameworld? Sim. Uma família é um gameworld? Sim. Uma corrida de maratona? Um supermercado? Uma equipe de produção de cinema? Uma banda de blues? Uma fazenda de permacultura? Sim. Bancos, multinacionais, exércitos, igrejas, escolas públicas, governos, ONGs, o mercado de trabalho, forças policiais e franquias do Starbucks? Sim.

Cada gameworld é único, mas cada gameworld é construído a partir dos mesmos componentes: seu contexto, suas regras de engajamento, seu codex e sua membrana semipermeável que distingue quem está dentro e quem está fora.

Cada gameworld é tão arbitrário e tão pouco realidade concreta quanto um par de crianças brincando de faz de conta no quintal.

Todos os gameworlds são temporários.

Perceber que as instituições da civilização são meros gameworlds é um despertar — um convite a reconhecer que você vinha entregando seu centro e sua autoridade a suposições falsas, a pensamentos habituais, a construções imaginárias.

A Nova Educação — ou a Educação Arquiarcana, da cultura do Arquiarcado — não está sendo desenhada para te fazer acreditar em gameworlds como o “Mercado de Trabalho”, a “Economia” e a “Formação Acadêmica”, mas sim para te convidar a se relacionar com coisas reais e importantes como a água potável, o meio ambiente, o bem-estar humano e o amor a si e ao próximo.

Não viva preso em gameworlds como se eles fossem a verdade. Eles não são. Água potável é real. Dinheiro, bitcoin e bolsa de valores são gameworlds.

Hoje em dia, para a maior parte da população do mundo — que acredita em gameworlds — é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo. Esse não é o futuro que queremos. Por isso, reconhecer gameworlds como gameworlds desde a infância é algo tão valioso.

Gameworlds são incríveis — mostram a criatividade e a capacidade de organização do bicho humano. O problema não é jogar em gameworlds. O problema é esquecer que são gameworlds. Porque quando você esquece, começa a destruir coisas reais para proteger coisas imaginárias. E isso já aconteceu antes. Está acontecendo agora.

Gameworlds ecocidas e tirânicos só continuam existindo porque as pessoas os tratam como realidade inegável — em vez de reconhecê-los como o que são: um gameworld que contratou uma força armada privada para implementar suas regras de engajamento. No momento em que você reconhece isso, o poder que ele tem sobre você muda completamente.

Aprendizagem

Como de fato acontece o aprender AVANÇADO

NECESSIDADE

O Ingrediente base do aprender.

“Não se pode dar à luz uma mulher que não esteja grávida.” De nada adianta dar respostas a perguntas que a criança ainda não carrega. A aprendizagem mais eficiente é aquela que brota de uma pergunta ou necessidade real. Há uma série de coisas que é melhor ensinar apenas quando a hora chega e a necessidade bate na porta: línguas novas, habilidades técnicas avançadas, história de lugares desconhecidos e irrelevantes para a vida da criança, conhecimentos interessantes mas inúteis para o dia a dia dela…

Contudo, existem perguntas valiosas de serem semeadas — principalmente no que diz respeito à construção de virtudes e caráter. Não é porque a pergunta brota da criança que você não possa ter sido quem jogou a semente.

Uma semente não é um sermão. É uma pergunta que cria curiosidade sem exigir resposta imediata. O que acontece com a confiança quando eu conto uma mentira? E o que acontece quando a confiança vai embora? Perguntas assim ficam trabalhando por dentro — e quando a criança viver uma situação que as aciona, a resposta vai ser dela.

O mesmo princípio vale para qualquer disciplina. Antes de falar de Alexandre o Grande, discutir se seria possível um jovem de vinte e poucos anos conquistar dezenas de países. Antes de educação financeira, perguntar por que pessoas que ganham o mesmo salário vivem vidas tão diferentes. Antes de Gandhi, questionar se é possível ganhar uma guerra sem violência. Antes do ciclo da água, perguntar por que a água do mundo não acabou depois de milhões de anos e bilhões de bichos bebendo dela.

Deixar a pergunta vir antes da resposta. É um caminho mais natural, mais divertido — e muito mais eficiente. Você cria curiosidade. E curiosidade liga os sensores da aprendizagem na cabeça da criança.

 

Saber trabalhar com a necessidade real e plantar uma pergunta antes de dar respostas é uma das habilidades mais valiosas de um educador talentoso.

DISCIPLINAS

Disciplinas são meios para o potencial da criança, não fins para conhecimento técnicos.

Como visto no artigo “Quando a virtude deixou de ser o coração da educação”, as disciplinas foram originalmente desenhadas para ser meios de construção de virtudes no ser humano — e não fins de desenvolvimento técnico.

Matemática, geometria, artes, poesia, filosofia, história, educação física e muitas outras são portas para o indivíduo explorar suas capacidades, desenvolver diferentes partes do seu cérebro e construir seu caráter. Não uma memorização de fatos e informações.

Um professor que ensina geometria perguntando “qual a área mínima que uma pessoa precisa para viver com dignidade?” não está ensinando só geometria. Está usando a geometria para desenvolver empatia, senso de justiça e pensamento crítico. A geometria foi o meio. A virtude foi o fim.

Uma aula de educação física onde a criança aprende a perder sem drama, a ganhar sem arrogância e a se esforçar mesmo quando quer desistir não está ensinando esporte. Está usando o esporte para construir força de vontade, humildade e resiliência. O esporte foi o meio. O caráter foi o fim.

Um professor que ensina a história de Gandhi não está ensinando datas e eventos. Está usando a vida de um ser humano real para mostrar o que coragem, não-violência e comprometimento com um ideal parecem na prática. Podendo inclusive ir além — para questionar e investigar com os alunos o que leva um ser humano a se comprometer com algo maior do que si mesmo. O que leva milhões de pessoas a se juntarem a um movimento? Como tomar frente por grandes mudanças quando o sistema força outro caminho? Existe algo que ele poderia ter feito e não fez? Existe algo que ele tentou e não funcionou? Com perguntas assim, o professor alimenta e nutre o poder criativo das crianças.

Então ao entregar uma disciplina, carregue a pergunta, o propósito, a intenção e a ação: como isso é uma ponte para a construção de virtudes e o desenvolvimento da criança?

Já deu a hora de pararmos de passar conteúdo no automático sem questionar. Nossa genialidade merece ser usada para desenhar aulas que cultivam o potencial virtuoso da criança — ao invés de apenas garantir uma boa nota em exames massificados. A vida no planeta e o potencial do ser humano estão só começando.

Escolhendo seu sistema de Valores.

Todo ser humano tem um sistema de valores. Seu sistema de valores são as coisas que você valoriza — a régua que você utiliza para medir se está “indo bem” ou não na vida. Por essa régua interna ser tão importante, nossa vida acaba por se desenhar em volta dela: nossa personalidade, nossos objetivos, nossas escolhas, tudo.

Esse sistema de valores pode ter sido escolhido conscientemente por você — ou inconscientemente, por imitação do seu arredor e da sua educação dentro de um sistema de valores específico.

A educação tradicional te ensina como ganhar no “jogo da vida” — como se preparar para a sociedade e o mercado de trabalho. Te ensina a jogar, trabalhar e tentar ganhar em um jogo pré-desenhado.

A Nova Educação te empodera a desenhar seu próprio jogo. Escolher o seu sistema de valores. Criar suas próprias regras. Claro, virtudes, responsabilidade e sabedoria serão sempre propostas como parte do seu jogo e do seu sistema de valores — e o exemplo de como a vida pode ser incrível e divertida dessa forma vai sempre estar retratado na própria vida do educador. Mas a escolha é sua. A aventura é sua.

Vale então, para aprofundar esse diálogo olhar de perto para o que são de fato esses sistemas de valores.

Em algumas comunidades espirituais o sistema de valores é se parecer com o “mestre”, ser pacífico e parecer perfeito. Entre certos grupos de amigos é ser quem fica com mais caras ou mulheres. No mercado de trabalho, quem ganha mais dinheiro e tem mais poder. Na igreja, quem tem maior posição. E assim por diante — cada gameworld carregando seu próprio sistema de valores. E esses sistemas de valores moldando todos que a eles aderem.

Existem pessoas — e te convido a refletir se você é uma delas — que passam a vida toda correndo de um lado para o outro para servir a sistemas de valores que, na verdade, se parar beemmm para refletir, nem são tão importantes para elas assim.

Isso me lembra daquela história do empresário que encontra um índio deitado relaxando na areia da praia e diz:

Ei, por que você não vai trabalhar? — pergunta o empresário.
Para quê? — responde o índio.
Para ter dinheiro.
Para quê?
Para comprar coisas.
Para quê? ………………

Quinze minutos depois, o empresário finalmente conclui, triunfante:

Para que um dia você possa se aposentar e relaxar na praia sem fazer nada!

O índio olha para ele:

Mas eu já estou fazendo isso, cabeça de abacate.

Quanto dinheiro hoje as pessoas gastam para cuidar da saúde mental, da saúde física, do vazio e da ansiedade — em compras para preencher esse vazio, em viagens para ter um gole de dopamina. E todo esse gasto, toda essa vida, porque trabalham muito para conseguir o dinheiro para pagar por todas essas coisas que a busca por dinheiro causou.

Você quer mesmo que seu sistema de valores seja ser atraente? Ter um corpo X ou Y? Ter dinheiro? Se parecer com outra pessoa? Ter poder sobre outros? Isso é o máximo que você acha que a vida pode ser?

É nesse tipo de sistema de valores que você quer que as crianças fiquem presas?


E se você desenhasse seu próprio sistema de valores? E se você decidisse o que é valioso para você? Não o que é valioso para sua família. Não o que o capitalismo gostaria que fosse valioso para você. Nem a frase bonita que seu coach da internet fala, como “liberdade de agenda” e afins. Talvez você nem queira ter uma agenda.

É sua vida. O que você quer que seja o sistema de valores da sua vida?

O que é valioso para mim é água potável, aventura, possibilidade, comunidade, abundância de comida deliciosa, crianças vivas e florescendo, não tratar tempo como recurso, sistema nervoso relaxado, 5 corpos equilibrados e nutridos, estado de presença, criar coisas para o mundo, generosidade, dançar, estar no time das pessoas que amo, ser elegante, conversas profundas e vivas, aprender coisas novas — e muuuitooo mais.

Isso é o que é valioso para mim. E o que é valioso para VOCÊ?

Cuidado — é bem possível que sua primeira resposta não seja autêntica. Existe alto risco de que sua identidade esteja emaranhada com a cultura onde você nasceu e os gameworlds nos quais joga. Experimente ousar além do óbvio.

Quando começar a ter clareza sobre seus próprios valores, você pode construir isso com as crianças também — ajudando-as a descobrirem o que é genuinamente valioso para elas. Não o que os outros valorizam. O que elas valorizam.

Já pensou que lindo? Crescer valorizando aquilo que seu coração realmente se importa — ao invés de crescer perseguindo uma vida que te foi vendida, e não criada.

Estes são alguns dos elementos mais importantes da Educação Arcana,
mas em sua totalidade ela é muito mais do que seus elementos. 

Educação Arcana é um caminho vivo, em constante evolução.

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