A Base Filosófica da Educação Arcana

Antes de falar sobre o que fazer com uma criança, precisamos falar sobre o que fazer com o adulto. Porque é do educador que a educação nasce — e através dele, e limitada por ele, que ela vem ao mundo.

E se ao invés de educar, cultivássemos?

Você já teve vontade de saber o que fazer? – saber como criar um filho(a) sem traumas? saber como ser um professor(a) marcante?  saber como trazer a tona o melhor da criança?

Essas e muitas outras perguntas ascenderam nossos corações em uma pesquisa que atravessou muitos autores, fontes, experimentos, escolas, livros, filmes, artigos, documentários, vídeos e pessoas. Toda essa pesquisa nos abriu o vislumbre de uma 

nova educação. Uma Educação baseada em princípios que empoderam e trazem à tona o melhor da criança ao mundo.

Nos dê uma leitura de seu tempo e tentaremos partilhar nessa página o suprassumo de nossa pesquisa.

Toda criança tem níveis inimagináveis de genialidade e potencialidade dentro de si — você não a ensina a ser genial, você apenas ampara o solo fértil onde essa genialidade pode florescer.

Por que mexer na educação, qual o problema com ela?

A Educação e Parentalidade vigente, por mais que repleta de milhares de educadores com ótimas intenções, e mães/pais verdadeiramente dedicados, é parcialmente ineficiente. 

No caso da Educação em casa: é comum aos pais  a sensação de “mãos atadas” por não saberem como não passar a diante os mesmos traumas pelos quais passaram. Eles sabem que a educação que receberam tem erros, e sabem que tem acertos, mas em meio a tantos desafios emocionais carregados até hoje, fica difícil saber o que de fato é melhor ou não para a criança, e como oferecer a melhor educação possível, sem que isso engula suas vidas pessoais.

No caso da Educação na Escola a Criança compromete 12 anos da sua vida a uma memorização de conteúdos, e estudo para a “prova”, aonde aprende algumas habilidades importantes mas deixa muitas habilidades essenciais de fora, e muita das coisas  que são aprendidas, são aprendidas de forma lenta e maçante pois não estão conectadas a  real necessidade, entusiasmo e curiosidade da criança, que poderia aprender tudo aquilo muito mais rápido se fosse uma necessidade real de sua vida. Após esses 12 anos não existe garantia de trabalho, estabilidade, felicidade e muito menos preparo para lidar com a vida, já que muitas pessoas vão a escola e poucos adultos são realmente satisfeitos, felizes e sábios. A Escola também, não é hoje em dia um ambiente muito fértil para a construção de virtudes e elevação do espirito, que é uma das melhores coisas que a escola poderia oferecer. 

Essa realidade atual tem uma altíssima relação com o fato de que a escola nasceu de um propósito distorcido, como uma forma de preparar civis mais obedientes e mão de obra qualificada para a revolução industrial do século 18. 

O mundo mudou, e as necessidades também. Vemos as leis e a escola cada vez mais abrindo espaço para uma grande transformação acontecer, e vemos muitas escolas pelo mundo começando esse movimento, queremos ajudar para que ele seja o mais efetivo e afetivo possível. 

Tudo isso sobre a escola não é de forma alguma um ataque, é apenas um: “por enquanto é assim”. E estamos esperançosos pelo futuro próximo onde esse texto será totalmente desatualizado e impreciso.

Assim como o Possiblity Management que com a morte da cultura moderna  apresenta novas possibilidades através do Arquiarcado. A Nova Educação veio para testar, explorar e inventar novas possibilidades para o futuro da Educação. O Futuro da Educação em Casa & O Futuro da Educação em Instituições como a Escola.

“Quando se sonha sozinho, é apenas um sonho.
Quando se sonha junto, é o começo da realidade.”

O Educador /Mãe/Pai - Extraordinário.

Uma educação extraordinária é inevitavelmente sobre um educador extraordinário. Um ambiente pedagogicamente rico, uma metodologia e material didático eficientes são todos potencializadores das capacidades do educador. Mas só vão até onde ele é capaz de ir. Crianças aprendem brincando, aprendem imitando, aprendem curiando, aprendem em espaços de descobertas e esses espaços precisam de um Amparador de Espaço habilidoso para navegar com cuidado, garantindo que o aprender seja sempre um ato de curiosidade autêntica.

Um Educador Extraordinário como uma figura digna de imitação deve ser capaz de ocupar o lugar de Herói e Heroína no coração da criança. 

Deve ser alguém maduro emocionalmente, bem resolvido com a vida e abundante no seu transbordar para o mundo. Alguém que sabe se comunicar e escutar. Um verdadeiro Adulto Livre  Natural, pronto para apresentar para a criança um mundo cheio de possibilidades. Alguém centrado, com espada da clareza, gremlin na coleira e amigo de longa data do Alto Drama.

Assim como um permacultor  que é repleto de conhecimento sobre a natureza das plantas, mas ainda assim as escuta com atenção e age baseado no que elas mostram antes do que baseado nos livros, um permacultor de criança a de ser bem versado por experiência própria e por estudos teóricos na compreensão da natureza humana e da criança, mas  a acima de tudo que observar a criança e adaptar seus conhecimentos aos feedbacks que a criança apresente, constantemente adaptando sua metodologia e aprofundando suas perspectivas sobre a natureza infantil.

“Educação não é lidar com comportamentos. Comportamento é sintoma. Educação é lidar com as causas. É trabalhar nas raízes que criaram o comportamento.”

Amor, Conhecimento & Habilidades.

O 20/80 (Princípio de Pareto) da Nova Educação é o Educador (mãe, pai, professor(a), cuidador(a)). Ele ou Ela são a chave para tudo e ali se foca a energia, na transformação do adulto em um “Permacultor de Crianças”, sábio, assertivo e amoroso. 
Existem 3 pilares bases no trabalho com esses adultos, eles são o Amor, o Conhecimento e as Habilidade
Sem a livre passagem para o Amor, não existe educação extraordinária. Amor é a base e precisa existir. A boa noticia é que o amor sempre existe. A grande questão é se existe livre passagem para ele ou não?
Se eu por exemplo tenho assuntos mal resolvidos com figuras masculinas na minha vida, então eu tenho um bloqueio de passagem entre meu amor e algum menino que eu esteja cuidando. Pode ser que o bloqueio não impeça o amor de passar, mas ele definitivamente turva a visão e contamina nossa interação, então ao “educar” o menino, corro o risco de que o guidão das minhas decisões esteja sendo conduzido por meus traumas e dores ao invés de puro amor.  Um dos primeiros passos de um Adulto entrando na jornada de se tornar um amparador de espaço para crianças é o de curar suas dores e traumas com o mundo, com o passado e com as pessoas. Se esse passo não é tomado o caminho entre o amor (o ingrediente mais importante da Nova Educação) e a criança é turvado, e assim a criança não pode contar com você nas horas que mais te necessitaria neutro, centrado e assertivo.

Seguido do amor entramos no domínio do Conhecimento. Sem conhecimento o amor pode ser um pouco estabanado. Por exemplo eu posso amar muito uma planta, mas por não conhecer sobre suas reais necessidades e fazer suposições erradas posso acabar por afogar ela colocando mais água do que o necessário.
Então conhecimento é o que dá eficiência ao amor. Conhecer a natureza da criança, conhecer o funcionamento do ser humano, conhecer os cuidados essenciais, as ferramentas de aprendizado, os segredos da infância. Com conhecimento o Amor pode se expressar em sua forma mais eficaz e transformadora. 

Mas não é só de conhecimento se faz a execução. É preciso trazer o conhecimento ao campo da ação transformando ele em uma Habilidade. O conhecimento sobre “como sabedoria se constrói em uma criança” é seguido da habilidade de “amparar espaços aonde crianças constroem sabedoria”. Habilidades são conhecimento em ação, treinados, praticados e integrados a personalidade do Educador(a). Por isso cada conhecimento precisa virar uma série de habilidades e cada habilidade deve ser treinada e praticada da forma que mais te divirta e entusiasme até que aquilo se torne parte de quem você é. Que tristeza seria se a Nova Educação se torna-se só um conjunto de ideias confinadas ao campo intelectual da reflexão. 

Permacultura Infantil

A palavra em latim educere, de onde vem “educação”, significa “conduzir para fora”. Essa origem contempla o processo de educar como o ato de trazer à tona aquilo que já existe, de forma inerente, dentro da criança. Sócrates, pai da filosofia, dizia que, em grande maioria, não aprendemos nada novo — apenas relembramos ou redescobrimos. Em algum momento da história, no entanto, educação passou a ser entendida como instrução: colocar conhecimento dentro da criança. Mas, em sua essência, trata-se muito mais de convidar o conhecimento a brotar. Pois o verdadeiro conhecimento — a sabedoria — não é algo memorizado, mas um processo de real compreensão. E a compreensão real é um fenômeno emergente do encontro entre meu olhar curioso e o objeto ou ser de observação.

É nesse espírito que nasce a ideia da Permacultura Infantil. Permacultura é a arte do cultivo de plantas, observando suas necessidades e criando o espaço mais fértil e seguro possível para seu desenvolvimento. O permacultor não olha para a planta como quem já sabe tudo sobre ela. Ele observa com curiosidade, atento aos sinais que a própria planta revela: mais sol, mais água, mais nutrientes? Cada planta pede um cuidado único, e é a partir dessa leitura que ele constrói o espaço adequado para que floresça. Não há necessidade de ensinar a planta a se tornar árvore: a árvore já existe em potência dentro da semente. É apenas necessário oferecer solo fértil e zelar para que ervas daninhas e disfunções do ambiente não a prejudiquem. Fora isso, basta espaço — e a planta naturalmente se desenvolve.

Crianças são assim também. Precisam de espaço e liberdade para descobrirem a si mesmas e trazerem à tona o Adulto Extraordinário que já existe em potencial dentro delas. Esse é um processo tranquilo? Nem sempre. Existem muitos erros e aprendizados no meio do caminho. Mas, quando esses erros encontram um espaço seguro para serem conversados e analisados, cada erro se transforma em ponte para a construção da sabedoria.

Permacultura Infantil é a arte de ler as crianças, interpretar suas necessidades e oferecer espaço seguro + solo fértil sob medida para sua evolução e desenvolvimento. Existe todo um estudo sobre o que de fato é um solo fértil, o que é um espaço seguro, como oferecer ambos e como escutar as necessidades da criança. Desejamos ter a oportunidade de compartilhar mais sobre isso no futuro. Por ora, você pode ler um resumo dessa pesquisa no livro Educando Gênios — o manifesto de uma nova educação.

Algumas das pesquisas nas quais nos inspiramos:

Possibility Management é um grupo de pessoas criando iniciações na maturidade adulta e novas formas de pensar que desbloqueiam e empoderam o potencial humano. Essas iniciações, processos de cura e distinções são até agora o caminho mais rápido já descoberto para curar os traumas do seu passado e transformar-se em um Adulto Extraordinário preparado para ser um Educador Extraordinário. 

Descoberto pela pesquisadora Jean Liedloff o Conceito do Continuum é a peça que faltava no grande mistério de por que as crianças fazem tanta manha e por que a maternidade costuma ser um desafio tão grande para as mães. Ele simplesmente apresenta soluções simples, naturais e práticas para acabar com o sofrimento da maternidade e criar crianças que se sentem amadas, completas e autoconfiantes.

Maria Montessori

A pedagoga italiana dedicou sua vida a observar e compreender a mente da criança e os segredos da infância. Antecessora de Piaget trouxe um olhar único para o processo de aprendizagem e desenvolvimento da criança, tento estruturado seu método como um dos mais eficientes e conhecidos ao redor do mundo. Como uma constante pesquisadora acreditamos que se ainda viva seguiria a evoluir e adaptar suas descobertas. Seguimos então a constante invenção de uma nova educação empoderados por suas valiosas descobertas e perspectivas.

Ótica Espiritual

Para além de religião, crenças, doutrina e dogmas (que são palavras das quais não sou muito fã). Espiritismo – as comprovações plausíveis que revelam um mundo para além do que vemos é um fator de relevante importância para a forma como amparamos espaço para uma criança. Cultivar alguém completamente novo e cultivar alguém que já tem uma história antes de vir a essa mundo são artes bem distintas. O olhar Espírita para educação e o papel dela na reeducação e evolução do espirito é algo verdadeiramente inspirador e de vários tesouros.

+ Muitos Pesquisadores

José Pachecco, Educador, Antropogogo & Pedagogista.
D
r. Gabor Maté, Medico Pesquisador e Escritor.
R
udolf Stainer, Filosofo fundador da Pedagogia Waldorf.
P
aulo Freire, Educador e Filosofo renomado.
Ivana Jauregui, Educadora, Criadora de conteúdo.
Gordon Neufeld,  PhD em Psicologia do Desenvolvimento.
Tania Mujica, Pesquisadora de comunicação e inteligência relacional.

+ Muitas Pesquisas

Educação Autodirigida, filosofia de aprendizagem
Free Progress Schools, filosofia de aprendizagem
Pedagogia Montessoriana, filosofia pedagógica
Pedagogia Waldorf
, filosofia pedagógica
Constelação Familiar, conceitos, premissas e estudo sobre os sistemas familiares
Cidade Escola Ayni, projeto educacional alternativo

Coletânea de Conhecimentos
Base da Nova Educação.

Uma lista de conhecimentos organizada em 4 tópicos principais (a Criança, o Desenvolvimento, o Adulto e a Aprendizagem) desenhada para compartilhar com você o máximo de conhecimento possível com o mínimo de palavras usadas. Cada um desses temas merecem no um livro inteiro, mas fazemos nosso melhor para resumi-los de forma prática e enxuta. É altamente recomendado que você estude mais sobre todos os temas que te chamarem atenção ou que você não entender completamente. Raramente um desses conhecimentos é a solução completa para um desafio educacional. Muitos desses conhecimentos se interligam e você vai ser ver frequentemente usando vários simultaneamente para navegar um desafio novo que se apresenta.

A Criança

Pesquisando a natureza das crianças
AUTONOMIA

A semente cotem a árvore.

Você não precisa ensinar uma semente a virar árvore.  O caminho para criar a si mesmo está imprintado na semente assim como a máxima expressão do ser está imprintado dentro da criança. Com um Espaço Seguro e Fértil somado a boas figuras nas quais se inspirar o florescimento da criança em um Adulto Extraordinário é um processo natural. O princípio da Autonomia é o de não desviar a criança com intrusão desnecessária.

INTEGRALIDADE

A Criança é um ser inteiro.

Um lago inteiro é afetado por uma pedra jogada em sua superfície. O lago é algo inteiro, todos seus lados são afetados por todos seus lados. A Criança também é assim. Uma movimentação na sua estrutura emocional afeta seu pensamento, comportamento, corpo físico e animo. Algo que acontece em casa afeta como ela é na escola. Algo que acontece na escola afeta como ela é em casa. Essa compreensão nos permite investigar e se relacionar sabendo dessa integralidade.

IMITAÇÃO

No começo era a imitação.

A criança começa a aprender muito antes de saber falar, ler e escrever. A primeira jornada de aprendizagem se guia fortemente pela imitação — não só das ações óbvias ao redor, mas também da imitação inconsciente das sutilezas sociais: como você trata as pessoas, como você reage ao estresse, como você fala de si mesmo.

Antes de qualquer palavra que você diga a uma criança, existe tudo aquilo que ela observa em você. Qual o exemplo que você está dando? Que limites verbais suas ações quebram em silêncio?

LIGAÇÃO

A porta de contato.

Crianças têm uma necessidade instintiva de estar ligadas a alguém. Às vezes esse alguém é família, às vezes amigos — mas o que importa não é quem, é a qualidade desse laço: conexão, confiança, cuidado e respeito.

Você só consegue amparar espaço efetivamente para uma criança com a qual construiu uma ligação. Se esse laço não existe, ela não liga para sua opinião nem para o que você tem a dizer — mesmo que você seja seu pai ou sua mãe.

Por isso a primeira missão do Amparador de Espaço é construir e zelar pela Ligação. E vale deixar claro: essa ligação não se constrói fazendo tudo que a criança quer. Ceder a tudo quebra o laço e cria insegurança. Ela se constrói num equilíbrio onde a criança se sente escutada, compreendida e respeitada — e ao mesmo tempo segura pela sua liderança, seus limites e sua capacidade como Adulto.

SENTIMENTOS

Sentimentos são valiosos.

Humanos têm sentimentos: raiva, medo, tristeza e alegria. Esses sentimentos podem ser usados de forma irresponsável e destrutiva — tornando-nos agressivos, vitimistas, controladores e infantis. Ou usados de forma responsável e construtiva: para tomar atitudes, se comunicar, criar estratégias, celebrar, processar perdas e muito mais… Ter uma compreensão apurada sobre os sentimentos nos permite navegar a educação sem abusar emocionalmente das crianças nem reprimir seus sentimentos. Vale ressaltar também o importante papel das emoções na construção da personalidade da criança. Sempre que a criança está sentindo ela está escrevendo ou reescrevendo sua personalidade, suas atitudes, sua visão de mundo. Um educador sábio não subestima a importância desses momentos.

SIMBOLOS

Inspirando o caráter Humano.

Símbolos e mitos são poderosas ferramentas de educação e criação de cultura em todo o decorrer da história humana. Na antiguidade nações com símbolos e mitos poderosos costumavam vencer as guerras — não só pela força, mas porque tinham um ideal que constantemente convidava cada pessoa a ser mais do que era. Monges e comunidades espirituais também fizeram o mesmo, em direção oposta: seus símbolos e mitos os convidavam a serem cada vez mais pacíficos, mais presentes, mais inteiros. 

Símbolos ajudam o ser humano a se comprometer com um ideal. A tornar real algo que é apenas um potencial. Quais símbolos você quer carregar na sua vida? Quais você quer compartilhar com as crianças?

1 CRIANÇA NO SEU TIME

Só precisa de uma.

Crianças não se espelham apenas em adultos — elas se espelham umas nas outras para decidir como se comportar, o que é interessante, e o que vale a pena tentar.

Saber disso muda sua abordagem na hora de amparar espaço para um grupo. Quando você cria uma ligação genuína com uma criança e ela aceita seus convites de aventura, ela se torna uma espécie de motor vivo para o grupo. O sim dela para as propostas abre um espaço de permissão para as outras crianças que também querem dizer sim.

Então ao chegar em um grupo novo, você não precisa “conquistar” 20 crianças de uma vez. Uma a uma vai criando um efeito de onda — enquanto você ocupa seu lugar como inspiração e Amparador do Espaço.

AS-ISING

Processando a realidade.

Tantas estratégias de sobrevivência, decisões inconscientes e confusões são criadas na vida de um ser humano simplesmente porque ele não fez as pazes com a realidade — e nunca aprendeu a processar o que aconteceu com ele, nem os sentimentos que isso gerou.

As-ising — ou, em português, Estando-com-oque-é — é um processo valioso para acompanhar uma criança sempre que a realidade der um choque no sistema nervoso dela. Seja porque ela machucou o corpo físico, viveu uma mudança brusca de realidade, ou teve sua estabilidade abalada de alguma forma.

No processo de As-ising, o adulto acompanha a criança enquanto ela narra com detalhes o que aconteceu — ou está acontecendo — ao mesmo tempo em que sente, em voz alta, tudo o que está descrevendo – sem tentar consertar a situação ou manipular a criança para se sentir “melhor”.

Um exemplo:

A criança se machucou. O adulto pede para ela contar o que aconteceu, detalhe por detalhe.

Eu estava correndo, não vi a calçada e caí. — E como você se sentiu quando caiu? — Triste… — e chora. — Isso… deixa a tristeza crescer. Deixa a tristeza falar. — Eu não queria ter me machucado. — Você não queria ter se machucado… — É… estou com medo. — Você está com medo… — Medo porque está doendo muito. — Medo porque está doendo muito… deixa o medo crescer. Faz o som do medo.

A criança treme um pouco, faz sons de medo.

Tá doendo muito… — Tá doendo muito…

E assim o adulto vai ajudando a criança a processar tudo o que está acontecendo — sem que os sentimentos se congelem no sistema nervoso dela como emoções reprimidas, e sem que ela crie histórias sobre si mesma ou sobre o fato (como por exemplo: sou desastrada, ou não consigo sozinha). 

Isso é As-ising. Estar com o que é. Processar a realidade sem atrelar histórias a ela. Processar nossos sentimentos. Tenha isso com uma criança. Você vai ver quão mágico é.

IDENTIDADE

Quem eu acho que sou, molda quem sou.

A força com maior influência no comportamento de um ser humano — e de uma criança — é o que ele acredita ser verdade sobre si mesmo. Sua identidade.

 Nossa visão sobre nós mesmos é a régua interna com a qual medimos nossas ações e decisões — uma criança rotulada de “bagunceira” vai bagunçar, não porque ela é assim por natureza, mas porque acredita que é. Quando um adulto começa a tratá-la como “alguém que tem muita energia e potencial para liderar,” ela começa a agir diferente, simplesmente porque a história que ela conta sobre si mesma mudou. Eu já vi valentões virarem guardiões, quando o potencial do seu ser foi convocado. 

Mas de onde vem minha identidade? Minha visão de mim? De duas fontes: como eu interpreto as experiências que vivo — e o que as pessoas dizem sobre mim. Quando você nomeia uma criança de “corajosa” ou “medrosa” — seja pelo que você diz ou pela interpretação que oferece para o que ela viveu — você está participando ativamente da construção de quem ela acha que é. E quem ela acha que é vai moldar o que ela faz.

 Levando isso em consideração: que lendas você quer contar para essa criança? Qual parte dela você quer ressaltar? Que histórias você vai contar sobre quem ela é — e quem ela pode ser?

Desenvolvimento

Como a criança cresce e o que cada fase pede
COLO

Necessidades essenciais não atendidas na infância marcam o indivíduo pela vida. Nós fomos desenhados para nascer e não sair do colo até que soubéssemos engatinhar e caminhar. Essa privação de colo devido a mitos sociais é a causadora de diversas anomalias e desvios comportamentais na infância. Também a causa da exaustão das mães e da sensação de insegurança e incompletude do ser humano moderno. Esse princípio é mais importante do que parece a primeira vista e você pode saber mais aqui.

FASES

Cada fase tem seu propósito.

Uma criança não se torna um Adulto Maduro através de força-la a imitar e agir como um adulto maduro. O Adulto vem naturalmente quando a criança pode viver plenamente cada fase em sua completude. Assim como não se força uma árvore a dar frutos quando ela está brotando, é necessário respeitar com sacralidade as etapas do desenvolvimento da criança enquanto ela passa de semente a broto, a planta, até naturalmente virar uma árvore. É experimentando radicalmente na infância que a sabedoria da fase adulta nasce.

HABITAT

Habitat & Comportamento.

Instintos naturais parecem problemas comportamentais quando estão fora do contexto natural para o qual foram desenhados. Assim como um animal selvagem seria um bicho “mal-educado” dentro do contexto de uma casa, mas um bicho perfeitamente adequado no contexto de uma floresta, uma criança também pode parecer mal-educada em um restaurante ao fazer barulho, correr e brincar, quando, na verdade, não há nada de errado com seus instintos naturais. Ela apenas não está no habitat propício para si. Fizemos das cidades e dos apartamentos modernos habitats incoerentes com as necessidades dos filhotes humanos.

ESPAÇO

O Solo Fértil para a semente.

O ambiente físico, os acordos implícitos, os objetos a disposição, a quantidade de natureza, o tipo de estimulo físico energético, visual e sonoro oferecido, o contexto e nível de responsabilidade assumido pela comunidade todos esses fatores englobam “O Espaço” e fazem dele a terra fértil ou infértil aonde a criança tentará a missão de sobreviver e florescer.

EXPECTATIVA

Crianças atendem expectativas.

Cada planta tem sua natureza própria isso é inegável. Mas também como parte de sua expressão no mundo se adapta ao ambiente descobrindo a melhor forma de interagir sua essência com o formato do mundo. Parte de como as crianças descobrem como se expressarem no mundo é escaneando o que é esperado delas, e então atendendo a essas expectativas. Espere generosidade e sabedoria da criança. Muita gente hoje espera Caos.

ERRAR

Errar Amparadamente = Evolução

Existe a ideia de que precisamos evitar o erro a todo custo.  De que errar é um sinal de incapacidade ou burrice. Essa ideia cria uma cultura de aprendizagem muito lenta pois o erro é parte imprescindível do Aprender. Por outro lado deixar a criança errar e errar sem nenhum tipo de Amparo tem também seus riscos. O risco de que os erros sejam um reforço de mau hábito ao invés de uma porta de aprendizado. Por isso trabalhamos com a ideia de que errar é importante, desejado e incentivado, quando  feito com curiosidade e em espírito de descoberta e aprendizado.

DRALA

Beleza e Virtudes são um Casal

Drala é uma palavra em sânscrito que descreve energia mágica criada por um certo tipo de Beleza. Outra tradução possível é algo , alguém ou algum lugar que quebra a corrente automática de pensamentos.  Desenvolver sensibilidade para Drala, e criar Drala, não é só algo que traz magia e encantamento, mas também atua na psique humana tendenciando-nos a nutrir as facetas mais virtuosas da nossa consciência. Por isso em filosofia antiga, Arte e Sabedoria andam de mãos dadas, pois essa qualidade de beleza apura os sentidos humanos e torna as invirtudes algo grotesco e impalatável. Existem inclusive  linhas de educação que consideram Arte e Beleza como formadora diretas de virtudes, e Drala a expressão do próprio divino na matéria.

VIRTUDES

O Fim de toda educação

Cultivar virtudes junto a uma criança é uma das artes mais belas que alguém pode praticar — porque virtudes são a máxima expressão da beleza no comportamento humano. Mas como se cultiva uma virtude? A própria palavra diz: virtude vem de virtus, a mesma raiz de virtual — o potencial que ainda não se realizou. Assim como uma semente carrega uma árvore virtual dentro de si, a criança carrega um ser humano virtuoso em potencial dentro dela. Você cultiva esse potencial oferecendo dois tipos de solo: solo seguro — onde ela não precisa construir estratégias de sobrevivência que a afastam do seu ser mais verdadeiro — e solo fértil: símbolos de inspiração, exemplo vivo, oportunidade de praticar. 

ADVERSIDADES

Não é um passo para trás, é um impulso.

Todo problema é uma porta para a evolução. Um problema só existe porque quem somos hoje ainda não sabe lidar com ele — ou evitá-lo. Se soubéssemos, ele simplesmente não seria um problema. Embora os problemas sejam, por natureza, oportunidades de aprendizado, existe algo que pode matar essa oportunidade antes mesmo de ela florescer. Esse algo é: tratar o problema como um problema. Agir como se aquilo fosse ruim, como se não devesse estar acontecendo, fantasiar com uma realidade onde ele simplesmente não existisse. Essa postura desvia nosso foco de realmente aprender e transformar a situação. Ficamos presos num drama interno, sofrendo com a realidade sem de fato fazer nada a respeito — nem crescer com ela. Encare as adversidades de frente e de braços abertos. A velocidade com que você cresce vai surpreender você.

LIMITE + UMA PORTA

Limites são ótimos, e incompletos.

Colocar limites — tanto em adultos quanto em crianças — é algo essencial e necessário. Mas apenas impor um limite muitas vezes impede que a conexão aconteça. Um limite diz: “desse jeito não funciona para mim” — porém, se você diz isso a alguém que ainda não tem repertório para agir de forma diferente, a oportunidade de conexão pode simplesmente se perder. Por outro lado, abrir mão dos seus limites para preservar a conexão também não é saudável, e tem consequências sérias para a nossa autenticidade e integridade. Uma terceira possibilidade surge então: quando quisermos manter a conexão ao mesmo tempo em que colocamos um limite, podemos ser um limite + uma porta. Dizer “desse jeito não funciona para mim… mas desse outro jeito funcionaria.” Dizemos o que não queremos e, em seguida, abrimos caminho para o que queremos — caso a pessoa deseje manter a conexão. Isso ajuda a construir repertório em quem está do outro lado sobre como se relacionar conosco. Um exemplo com uma criança seria: “A mamãe não vai aceitar você bater nela. Se você quer dizer que está com raiva, você pode falar: ‘Mamãe, estou com raiva por causa disso e disso’ — e a mamãe vai te ajudar a decidir o que fazer com essa raiva.” Nesse caso, se apenas o limite tivesse sido colocado sem uma porta, a criança — por falta de repertório — provavelmente encontraria outra forma destrutiva de lidar com a raiva.

APRENDENDO DOS PAIS

Quando o script genético se completa.

Ter um educador ou educadora extraordinária de quem aprender é uma verdadeira bênção. Mas ainda assim não se compara a aprender algo valioso do próprio pai ou da própria mãe. É como se um script genético se completasse quando isso acontece. Por isso, incentivamos fortemente que pais e mães se tornem os principais educadores extraordinários na vida de seus filhos.

O Adulto

Por quem a educação passa antes de educar

AMPARADOR

O Permacultor de crianças.

Todo “Espaço” precisa de um Amparador de Espaço, habilidoso e capaz de manter a terra fértil e cuidada para proporcionar e melhor apoio ao desenvolvimento da criança. O Amparador de Espaço é razoavelmente ativo, mas não no que diz respeito a educar a criança, e sim no que diz respeito a proporcionar o espaço mais fértil e seguro possível para a natureza da criança se auto-guiar.

CONHECIMENTO

Quem entende, melhor manuseia.

Muito já foi descoberto sobre a natureza da criança, o funcionamento de sua mente, os desafios normalmente encontrados e as etapas de desenvolvimento. Todo esse conhecimento disponível potencializa a sua capacidade de ação na vida da criança. Estude de boas fontes e constantemente aprofunde seu conhecimento. Isso torna suas intervenções mais precisas.

LIDERANÇA

Ele(a)s precisam que você saiba o que fazer.

Quando você fica perguntando para criança o que ela quer, ou gira sua vida em torno dela ela fica verdadeiramente irritada (e com muita razão), pois você é o adulto e ela veio justamente para aprender com você como viver. Não aprender no sentido giz e lousa, mas no sentido te observar vivendo sua vida, te imitar, e depois adaptar aos próprios gostos conforme eles são descobertos. Quando você gira em torno dela ela se sente insegura. Ela precisa da sua liderança, e precisa saber que você dá conta, que ela está em segurança.

CORRESPONDER

Cada cenário pede uma postura.

A vida não é preto no branco. Uma postura que funciona excepcionalmente em um cenário falha miseravelmente em outro.

Quem carrega o Thoughtware de Certo & Errado costuma achar que ser firme é errado e ser compreensivo é o certo — ou vice-versa. Mas existem cenários em que ser firme é perfeito, e cenários em que ser totalmente compreensivo é perfeito. Ler o tipo de cenário e qual postura vai mais beneficiar a criança é importante — especialmente quando você começa a de fato colocar o benefício da criança acima da sua imagem pública de “bom pai/mãe.”

Nenhuma das duas abordagens são extremas, ser compreensivo não significa permissividade, e ser firme não significa agredir. Mas o meio também não é estático — é uma dança viva entre o equilíbrio e o desequilíbrio das duas energias.

SER INTEIRO

Curar traumas, estar presente.

Como alguém ferido pode cuidar das feridas de outra pessoa? Alguém um dia ferido, mas devidamente curado é talvez quem mais possa cuidar do outro, mas alguém de ferida aberta tem que antes cuidar de si para poder ajudar. Vivemos em uma sociedade onde a maioria dos adultos tem feridas do passado abertas. Se distraem, se ocupam, olham para o outro lado, mas nada disso cura de fato as feridas, só cria adultos reativos, que recriam seus traumas, e vivem no limite emocional. Para ser um Adulto Inteiro para criança é importante enfrentar seu passado, curar suas feridas e se transformar em um Adulto Livre e Natural. Solte sua bagagem e torne a aventura de ser um Adulto na diversão que ela realmente pode ser. O impacto disso na sua forma de Educar é imprescindível.

OBSERVAÇÃO

Intuição antes dos livros.

Quando você cuida de uma criança você está sendo a mão de Deus na vida da criança. Muitas vezes Deus vai ter opiniões, observações e feedbacks sobre o que fazer e como agir. Esteja atento a ouvi-los e construir seus instintos para que você possa ouvir a necessidade da criança para além dos livros e métodos. Conhecer é bom mas é mais importante seguir uma trilha antes baseado no terreno do que baseado no mapa. O mapa é só um suporte. Ler a criança e as necessidades dela para além do que ela diz é importante. E se você foi confiado com a sagrada missão de cuidar desse ser, em alguma parte dentro de você, você já tem as respostas sobre o que essa criança precisa e quais os próximos passos para você e para ela. Você precisa aprender a ouvir essa parte sua.

CICLOS

Dance com os ciclos.

A natureza funciona em Ciclos. Os dias, as estações, os estágios de amadurecimento de cada animal. Nós Humanos como animais e como parte da natureza também operamos em ciclos. Os ciclos hormonais das mulheres. Os ciclos diários dos homens. Os ciclos hormonais de vida de um adulto da espécie sapiens. É importante conhecer a natureza do nosso corpo para poder dançar com ela. Não se frustrar com como nosso corpo funciona, também não usá-lo como desculpa para ser irresponsável. Conhecer sua natureza e conhecendo-a ter mais ferramentas para criar o que seu SER quer. Sem resistir ao que é, criando o que quer.
TIME

É preciso uma vila.

É possível criar uma criança sozinho. É muito mais divertido criar uma criança em Vila.

A natureza do ser humano é social — nós funcionamos muito melhor em coletivo. Essa ideia de cada família de 3 ou 4 pessoas dividida em apartamentos pequenos numa cidade onde tudo se cobra é um experimento novo na espécie humana. E um experimento que já provou que não funciona.

Quem se orienta como vítima no mundo sofre por não ter um time. Quem se empodera do seu poder de criação cria um Time e uma Vila para si e para sua criança. Quem se orienta como vítima reclama que seu time não é bom o suficiente — quem se empodera do seu poder de criação cria exatamente o tipo de time que quer, encontrando quem quer o mesmo e amparando espaço uns para os outros na jornada de transformação.

Aprendizagem

Como de fato acontece o aprender
DESCANSO

A Pausa é parte da Excelência.

No passado todo Camponês/Lavrador sabia; não se faz colheita, nem se planta todo dia. A terra tem seus ciclos e não é eficiente estressa-la mais do que ela aguenta. Quem conhece e respeita os limites da natureza colhe o máximo da sua eficiência. O Cérebro humano precisa de integração e descanso para operar no seu máximo potencial e assimilar todos os aprendizados de um aprendiz ávido. Respeitar as pausas e os descansos vão tornar a aprendizagem mais eficaz e mais saudável.
 
DIÁLOGO

Adulto & Criança aprendem.

Quem já ensinou o suficiente sabe  quanto repetir conteúdo é algo morto. O Processo de aprendizagem real é uma jornada conjunta onde adulto e criança entram em uma aventura de descoberta. Aonde o objetivo pode até ser chegar em certa habilidade ou certo conhecimento, mas a forma como isso é construído é uma colaboração entre professor e pupilo. Ensinar e aprender é mais divertido quando a educação é um diálogo e não um monólogo.

EXEMPLO

Ensinando com ações.

Mais que as palavras e as pregações. Um bom exemplo inspira, apaixona e faz refletir.  O Exemplo mostra na prática uma nova possibilidade de como agir perante tal circunstância ou adversidade. Não está a convencer, nem a apontar certos e errados, está a mostrar: se você fizer isso, isso acontece. Uma possibilidade então é aberta de forma neutra e pura para as pessoas a sua volta. Especialmente as crianças que estão mais abertas a possibilidades e menos rígidas por certezas. 

ENSINAR

Aprender ensinando.

Ensinar é uma ÓTIMA ferramenta para aprendizagem! Só vem sendo usado errada. Não é para o educador ensinar… o educador já sabe, ensinar não lhe vai servir muito. É para o aluno/pupilo ensinar. Aí sim o máximo do ensinar pode ser aproveitado no processo de aprendizagem. Ensinar é organizar descobertas e conhecimento em uma linha concreta de narrativa. Isso cria sinapses no nosso cérebro que assimilam, aprofundam e descobrem muito mais dentro do assunto pesquisado. A partir de uma certa idade ensinar pode ser uma poderosa ferramenta de aprendizagem e assimilação para as crianças/adolescentes sobre seu cuidado. 
DESCOBERTA

A cola da memoria.

Aprendizagem desesforçada vai embora tão rápido quanto veio.  A ciência já comprovou que:
Quanto mais o cérebro é desafiado de forma ativa e significativa durante o aprendizado, maior tende a ser a retenção no longo prazo do conhecimento descoberto.”
O ser humano só guarda para si aquilo que ele mesmo descobre. Ao invés de ensinar conhecimento mastigado para a criança, proporcione experiências aonde elas mesmo possam chegar às conclusões desejáveis e quem sabe até  a novas conclusões desconhecidas. Não subestime a capacidade da criança de descobrir algo que você ainda não sabe. 
ERRAR

Quem não erra não aprende.

Existem 2 tipos de pessoa
1- as que “estão bem na fita” por que só fazem publicamente o que já sabem que sabem fazer.
E 2 – as pessoas que estão aprendendo. As pessoas que estão aprendendo não saem “bem na fita”, cometem erros publicamente e sua incompetência é constantemente evidente. Mas sua dedicação em corrigir rapidamente cada erro é também evidente.
Quanto mais rápido e mais frequente você erra, mais rápido você aprende, sempre que a correção de rota acompanha a velocidade do erro.
Quem demora muito para errar, querendo fazer certo, demora também muito para aprender.  Aprendizagem rápida tem uma formula e a fórmula é: Aprende, testa, erra, reflete, aprende mais, testa de novo, erra…..
Nada de aprende, aprende, apreende e daqui a 6 meses faz um teste e põe na prática. Quem aprende rápido testa & experimenta frequentemente. 
BRINCAR

A melhor forma de aprender.

Não a melhor forma de aprender do que brincando. Brincar é explorar o objeto do brincar em todas suas facetas, direções e possibilidade. É disso que é feita a maestria em qualquer arte. Se você quer que uma criança seja um profissional de uma área ponha-a para estudar com comprometimento e frequência. Se quer que uma criança vire mestra em alguma arte, deixe que ela brinque desregradamente e em solo fértil e ela vai inevitavelmente  aprender mais sobre aquilo que qualquer um.

HISTÓRIAS

Experienciando sem experienciar.

Não é fascinante que possamos vivenciar com histórias aventuras inteiras cheia de desafios e aprendizados a partir da jornada de outro seres/personagens? – Se eu te disser que mentir é errado e que os outros não vão acreditar em você, você pode entender as palavras mas ainda assim não compreender a comunicação. Mas quando te conto a história do Menino que Gritava Lobo a compreensão de causa e consequência se torna muito mais experiencial. Não é à toa que parábolas são ferramentas tão usadas por grandes mestres

DIVERSÃO

Por que não?

Tem gente que se diverte fazendo mal para si e mal para os outros, e tem gente que condena a diversão por que acha infantil ou errado. Nenhum dos dois conhecem a verdadeira diversão. Diversão é algo maravilhoso, leve, é um tempero bem equilibrado na jornada da vida. Você merece se divertir a criança também. A aprendizagem pode ser algo divertido, não só pode, é muitas vezes necessário que seja divertido para extrair o máximo dela. Diversão não é só rir, também pode ser chorar junto uma tristeza que aproxima, sentir um medo de expandir os limites do conhecido, ou uma raiva para por em ação coisas que você se importa. Muitas vezes pais querem que a criança não jogue nem mecha no celular. Mas o que quer que ela faça ao invés? Leia um livro que não quer ler? Desenhe coisas que não quer desenhar?  Quer que a criança deixe as telas? Comece oferecendo uma vida mais divertida. Não mais viciante, não mais estimulante de dopamina. Mais divertida. Diversão verdadeira e estímulo/ dopamina são coisas diferentes. 

Uma nova linha de Educação

Como a Nova Educação se diferencia da Educação Permissiva ou da Educação Autoritária?

É vasta a quantidade de pais, mães e educadore(a)s que com o coração super bem intencionados exploram os territórios da educação permissiva, tentando educar a criança apenas com reforço positivo e consultando a criança para tudo referente a vida e a educação dela. Infelizmente justo essas crianças parecem se tornar as mais agressivas, dominadoras e bagunceiras. Como pode que tanto carinho, afeto e boa intenção leve a resultados tão contraditórios? 

O motivo pelo quais linhas de educação permissivas muitas vezes despertam o pior na criança é por que essas linhas de educação colocam a criança em um constante estado de insegurança. Aonde os Pais não passam confiança, segurança nem liderança para criança. E ela se vê perdida, desalocada do seu papel, altamente incomodada por não receber o contorno e direcionamento que os milênios de anos de evolução da genética dela esperam. 

Tão insegura ela precisa garantir sua própria segurança, ser maior que os pais,  sentir que consegue cuidar de si. Não confiando na liderança hierárquica natural ela se vê necessitada de subjugar os pais para ocupar então o papel de líder na hierarquia (um comportamento muito comum em outras espécies de animais como por exemplo os cavalos, os macacos, leões e lobos  que quando não confiam nos mais velhos para serem os lideres, se tornam muito mais agressivos para ocupar esse local não natural). Dai nascem vários desvios na natureza e comportamento da criança. 

A Nova Educação entende que a criança precisa de contorno;  precisa que saibamos o que fazer. Que não fiquemos perguntando a ela o que ela quer, mas sim ofereçamos o que nos parece melhor para ela, e que confiemos que com o tempo ela desenvolverá seu próprio gosto e começara a tomar suas próprias decisões. Enquanto cada vez mais abrimos espaço para isso.

A Nova Educação apesar de não ser permissiva, passa longe das linhas de educação autoritária que são conhecidas por impor a vontade do adulto na criança sem considerar seus interesses, vontades e autoridade. O Educador(a) Extraordinário(a) apresenta sua vida a criança e a convida a participar dela, mas permite completamente a escolha da criança sobre sua própria vida, escolhas e consequências. 

Negociações maduras são feitas com a criança conforme ela desenvolve o intelecto para isso, e sua autoridade sobre sua própria vidas e limites é completamente respeitada. Ele (o Adulto) pode frequentemente deixar claro para criança se as ações que ela tomou são desejadas ou não desejadas, esperadas ou não esperadas, mas ele jamais põe a identidade da criança em questão. A criança é sempre amada e desejada incondicionalmente, mesmo que nesse momento esteja sendo deixado claro para ela que a especifica ação que ela escolheu tomar naquele momento é completamente indesejada. 

Nenhum castigo ou manipulação é necessário para isso. Nenhum xingamento nem agressão. Simplesmente Radical Relating.

Dessa forma a criança pode crescer entendendo que feedbacks dados as ações delas não dizem respeito a ela, dizem respeito apenas as escolhas que ela tomou, e que ela é totalmente livre para tomar novas escolhas.

O Dilema das Telas

— Mas e as telas? — Não dê telas. — Como assim? — Assim, assim: não dê telas para crianças. — Mas é impossível, eu preciso fazer minhas coisas. — Seres humanos adultos fizeram suas coisas por milênios de anos antes de existirem telas. Você é capaz. — Mas é difícil. — Esse é um ponto de vista. Outro é que é libertador — porque você tem a chance de criar uma vida interessante e extraordinária que não gira em torno de ser um zumbi com um celular na mão.

Não dar telas para uma criança vai provavelmente exigir que você construa uma rede de apoio e comunidade. Vai provavelmente exigir que você viva em um lugar onde a criança possa brincar com amigos, se aventurar na natureza e de fato aproveitar a vida. Vai exigir que você também abandone as telas e comece a se divertir de verdade.

Não adianta tirar as telas da criança e oferecer uma vida entediante dentro de um apartamento. Aventuras e possibilidades serão necessárias para saciar a fome de vivacidade dos pequenos gênios e gênias — assim como outras crianças para acompanhá-los nessas aventuras. Crianças cujos pais tenham uma cultura parecida com a sua.

— Mas eu não tenho isso… — Ninguém tem. E se ninguém começar, ninguém vai continuar tendo. Ninguém vai resolver sua vida por você. Mas ninguém pode te impedir de fazê-lo. — Eu tenho trabalho, e não sou milionário, não posso simplesmente me mudar para o interior, ou ir morar no meio do mato. — Pela forma que você fala, que revela um pouco da forma como você vê o mundo, realmente parece que quem você é agora não tem essa possibilidade. Não porque ela não existe — ela definitivamente existe — mas aparentemente quem você é no momento não consegue enxergá-la nem construí-la.

Nesse caso, seu próximo passo é transformar quem você é. Evoluir e se tornar um novo você que consiga enxergar e se relacionar com as possibilidades que já existem agora.

Como você vai fazer isso? Essa é  uma pergunta séria — e provavelmente você não vai conseguir respondê-la sozinho, porque você atualmente só enxerga o que atualmente consegue enxergar.

Nossa proposta: ligue para a pessoa mais sábia que você conhece, explique sua situação e pergunte:

“Como eu posso me transformar em alguém capaz de enxergar as possibilidades disponíveis para criar a vida que meu coração realmente quer? Por favor, não me mostre as possibilidades — eu ainda não vou conseguir aceitá-las. Me diz o que eu preciso fazer para conseguir enxergá-las por mim mesmo.”

Escute e experimente as instruções.


Enquanto você se transforma, algumas coisas práticas que você pode fazer:

  1. Nada de redes sociais.
  2. Celular só o flip — para mensagens e ligações, sem touchscreen.
  3. Filmes e desenhos bem selecionados, não os da moda: Vila Sésamo, Turma da Mônica, Animes sem conteúdo impróprio, clássicos da Disney e similares.
  4. Gibis: Turma da Mônica, Homem-Aranha, Menino Maluquinho, O Pequeno Príncipe, Mafalda, e afins.
  5. Sem YouTube — exceto para aprender algo específico, supervisionado.
  6. Se for ter jogos, que sejam jogos divertidos mas com possibilidade de crescimento, aprendizagem, liberdade e aventura como Minecraft, Triviador, Spore… outros jogos centrados em guerra, competição, pressão, fracasso, sucesso e afins, definitivamente não são uma boa ideia, são melhores que redes sociais, mas ainda assim não são uma boa ideia.
  7. Atividades extracurriculares interessantes, pagas ou gratuitas, tanto faz — só garanta que o contexto é bom e que é um espaço seguro emocionalmente para a criança.

 

Mas não faça isso para sempre. A vida é muito mais. Não desista da sua jornada de se tornar alguém capaz de enxergar as possibilidades. Fazer um Expand The Box pode ser um ótimo começo.

artigo
Quando a virtude deixou de ser o coração da educação.

por Israel M. Kairós 

Por que matemática? Educação Física? Gramática? Artes? Música? Quem decidiu que essas são as disciplinas mais importantes — e por quê?

Como um jovem que abandonou a escola, questionei fortemente — e de forma rebelde — na minha adolescência a importância dessas disciplinas no nível de profundidade em que eram ensinadas. Não porque as achava inúteis, mas porque não as considerava as mais úteis.

No século 21 — o século em que nasci — educação financeira, inteligência emocional, psicologia, tecnologia e saúde mental são temas usados mil vezes mais no dia a dia do que raiz quadrada, geometria avançada ou português perfeito.

Hoje, completar o ensino médio e até fazer faculdade não garante qualidade de vida nem um bom trabalho. Para que, então, tantos anos de investimento? Por que a escola responde perguntas que as crianças ainda não têm?

E assim abandonei ilegalmente os estudos formais, aprendendo apenas o básico e o necessário — e foquei meu tempo no que considerava prioridade maior.

Até que, em uma visita de pesquisa a uma escola bem diferente no sul da Índia, descobri o porquê essas matérias podem ser tão importantes.


A questão é que as disciplinas, no nosso sistema de ensino, viraram um fim — um conhecimento técnico que você adquire. Quando, na verdade, foram desenhadas para ser um meio. Um meio para a construção de virtude no Ser Humano. Um meio para seu desenvolvimento integral.”As disciplinas viraram um fim. Quando, na verdade, foram desenhadas para ser um meio — um meio para a construção de virtude no Ser Humano.”



A Last School de Auroville

Na Last School de Auroville, uma escola inovadora que preserva a origem filosófica da educação grega, as matérias servem como ponte para a construção do indivíduo.

O objetivo não é adquirir um conhecimento vasto e integral — mas SER um ser integral e vasto.

📐 Matemática
Não para saber contas de cor — mas para desenvolver raciocínio lógico.

🔬 Ciências
Não para se fechar ao mistério — mas para cultivar curiosidade sobre a vida.

📜 História
Não para memorizar fatos — mas para aprender com grandes figuras e compreender o comportamento humano.

🎨 Artes
Não para saber pintar — mas para construir virtudes e apurar a sensibilidade para a beleza. Quem refina seu paladar para a verdadeira beleza não tolera a presença da invirtudes, pois invirtudes são por natureza repugnantes.

🤸 Educação Física
Para construir força de vontade e determinação sobre as limitações da mente.

Nessa forma de enxergar a educação, aprender sobre a matéria não é negar ou se afastar do divino — é uma forma de se aproximar dele.


“A manifestação do divino na psique é o Amor / Generosidade;
A manifestação do divino na mente é o conhecimento;
A manifestação do divino no corpo é a força / força de vontade;
E a manifestação do divino na matéria é a beleza.”

— Last School, Auroville


O ideal grego de educação

Ao assistir à palestra “PAIDEIA: caminhos para uma educação integral”, da professora Lucia Helena Galvão, vemos novamente as disciplinas como meio para a construção de um ser humano virtuoso.

“O propósito da educação é instigar o anseio e o desejo por ser um ser humano perfeito.”

A escola moderna nasce profundamente influenciada pelo humanismo europeu, que resgatou ideais da Grécia e de Roma durante o Renascimento. O currículo humanista — com ênfase em lógica, retórica, matemática e artes — bebe dessa fonte clássica.


Quando a escola mudou de propósito

No entanto, quando o sistema público obrigatório se consolida nos Estados modernos, seus propósitos passam a ser outros.

O ensino público nasce com a promessa de oferecer educação básica a todos — promessa que, é justo reconhecer, cumpriu com excelência em muitos aspectos: houve alfabetização em massa, mobilidade social e ampliação da cidadania. Milhões de pessoas tiveram acesso ao conhecimento pela primeira vez.

Mas o foco principal foi conhecimento e habilidades. Não educação em seu conceito integral.

Muitos pedagogos e historiadores concordam que os maiores motivadores por trás da rápida expansão da escola e o grande investimento feita em sua universalização foram:

  1. A necessidade de mão de obra capacitada para a Revolução Industrial

  2. Um sistema controlado pelo Estado que servia ao fortalecimento do Estado

  3. Criar pessoas obedientes às leis e habituadas às práticas militares

Virtudes ficaram fora do centro das prioridades.

E isso é uma perda crucial — porque as disciplinas não foram desenhadas para ser o fim. As virtudes eram o fim. Mas os fins passaram a ter mais a ver com a economia global, e a obediência civil do que com trazer à tona o melhor do ser humano.


Se o centro da educação fosse a formação do caráter e da excelência humana, esperaríamos que o tempo investido na escolarização refletisse isso de forma perceptível.

Podemos afirmar que um adulto com 20 anos de escolarização é, com certeza, mais virtuoso e um melhor ser humano do que uma criança de 10 anos?

Se não podemos afirmar isso com segurança… então fica evidente que construir virtudes não é um dos objetivos centrais do sistema de ensino.  E, ao deixar as virtudes de lado, as matérias e disciplinas perdem seu sentido.


O problema não está nas disciplinas

Algumas pessoas propõem mudanças de conteúdo — tecnologia vem entrando cada vez mais, e as disciplinas podem ser substituídas por outras cem vezes mais úteis para o cotidiano.

Mas a educação continuará incompleta enquanto a virtude não voltar a ser o coração da educação.

Porque o problema não está nas disciplinas.

Nem na escola.

Está na inversão entre meios e fins.

Estes são alguns dos elementos mais importantes da Educação Arcana,
mas em sua totalidade ela é muito mais do que seus elementos. 

Educação Arcana é um caminho vivo, em constante evolução.

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Educação Arcana é um movimento nascido da necessidade do planeta por uma Nova Educação. Fundada por Israel M. Kairós, atualmente está sendo evoluída, discutida e aprimorada em encontros semanais de Possibilitadores comprometidos com o futuro da Educação.

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